expresso.sapo.ptexpresso.sapo.pt - 10 nov 16:58

O Bloco é um "gigante" ou "vive de migalhas"?

O Bloco é um "gigante" ou "vive de migalhas"?

De um lado, os críticos, radicais e minoritários que falam de um Bloco fantasma, que vive das sobras do PS. Do outro, a tendência maioritária da direção diz que o partido se agigantou (para quem teve 10%)

O debate interno no Bloco de Esquerda, afinal, ainda existe. Na Convenção, a oposição chama-se “Moção M” e vale 8% dos delegados. Mesmo assim, na tribuna são todos iguais e a direção de Catarina Martins teve de ouvir duras críticas. Que se tornou “um partido bem comportado” é o patamar mínimo.

Ines Ribeiro Santos fez as honras de apresentar a moção que contesta a linha política da atual direção bloquista. Não quer ver o Bloco “confundido com um partido fantasma, que nem está no Governo, nem na oposição”. Os anos de geringonça têm, aqui, um saldo negativo. E se admite “ganhos limitados” com o acordo parlamentar, Ines Santos não tem dúvidas de que “os resultados” alcançados têm um custo demasiado alto. “A manutenção dos recuos é a garantia de uma derrota”, diz.

“Hoje estamos mais fracos”, diz a porta-voz da moção de oposição. O preço a pagar pela proximidade do poder foi o “uma sede de mediatismo e trabalho parlamentar”, que tirou o partido das ruas e o afastou da esquerda radical.

O tom estava dado. Mais adiante, Mateus Sadock pedia o regresso à “luta radical” em vez das “relações de força nos corredores burgueses”. Para este Bloco, o partido tornou-se “bem comportado”, aburguesou-se com o cheiro a poder: “Vive das migalhas que o PS nos dá”. Assim, “não põe em causa os princípios da direita burguesa”, porque “não se combate o fascismo com moderação”.

O grupo, assumidamente radical, faz-se ouvir e marca posição. No alinhamento das intervenções na Convenção, coube a vez a Joana Mortágua responder as críticas internas. A deputada e responsável pela pasta da Educação diz que o acordo da geringonça foi uma forma de “recusar a insignificância”. Com os 10% de resultado eleitoral, o BE negociou "um acordo parlamentar que apeou a direita do Governo”. Ou seja, “os nossos 10% fizeram-se gigantes”, diz Joana Mortagua.

De um partido de migalhas, a um gigante, vão dois discursos de distância. O Bloco de Esquerda é assim. Mas a pergunta fica no ar. “O que fazer” a seguir?", pergunta Mortagua. “Queremos muito mais, para poder, não influenciar, mas decidir a governação”, responde. Nesse ponto estão todos de acordo. Ninguém enjeita um melhor resultado nas Legislativas que estão já ali.

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