observador.ptobservador.pt - 10 nov 16:54

Ao segundo massacre o filho não resistiu. A mãe não quer orações, mas sim controlo de armas

Ao segundo massacre o filho não resistiu. A mãe não quer orações, mas sim controlo de armas

Sobreviveu ao massacre de Las Vegas que levou a vida a 58 pessoas. Um ano depois, morreu no tiroteio da Califórnia. Num testemunho emocionado, a mãe exige controlo de armas.

Telemachus Orfanos, de 27 anos, sobreviveu ao massacre de Las Vegas, a 1 de outubro de 2017, que fez 58 mortos e deixou 500 pessoas feridas. A sorte não voltou a estar do seu lado: sensivelmente um ano depois, Orfanos regressou ao centro de um tiroteio, agora num bar em Thousand Oaks, na Califórnia, e desta vez perdeu a vida. A mãe do veterano militar, que serviu na Marinha norte-americana entre 2011 e 2014, não quer que rezem por ele. Quer, ao invés, um melhor controlo de armas.

A declaração está em diferentes meios norte-americanos: “O meu filho estava em Las Vegas com muitos dos seus amigos e voltou para casa. Ontem ele não voltou para casa. Eu não quero as vossas orações. Não quero os vossos pensamentos. Eu quero controlo de armas. Espero que mais ninguém me mande orações. Quero controlo de armas. Não quero mais armas!”, disse Susan Schmidt-Orfanos, citada pelo The Vox, pela CNN, pela CBS News, pelo USA Today, pelo National Post e pelo The Washington Post (estes são apenas alguns exemplos).

“I hope to God no one sends me anymore prayers. I want gun control. No more guns!” – mother of shooting victim Telemachus Orfanos. She says he survived the #LasVegasShooting but did not survive the #ThousandOaksMassacre. @ABC7 @ABCNewsLive pic.twitter.com/UMqTY1RATK

— Veronica Miracle (@ABC7Veronica) November 8, 2018

No tiroteio mais recente, que fez 12 vítimas mortais num restaurante da Califórnia onde decorria uma festa universitária, estavam alguns dos jovens que sobreviveram ao massacre do ano passado, que aconteceu durante um concerto de música country, em Las Vegas. Brendan Kelly viveu para contar, uma vez mais, como é sobreviver a um tiroteio. Orfanos não — uma história estatisticamente improvável. O pai da vítima também falou à imprensa. Mark Orfanos não quer condenar o atirador, até ver considera-o mais uma vítima. “Não vou vilificar este miúdo porque ele também tem pais que estão em sofrimento. Também lamento por eles. Até perceber quais são os detalhes que motivaram este miúdo, eu não vou vilificá-lo.”

Telemachus Orfanos, 27
"Tel" was an Eagle Scout. He had been in Las Vegas when the mass shooting on October 1st, 2017 took place. His mother said, "I don't want prayers, I don't want thoughts. I want gun control." #ThousandOaks #RememberThem pic.twitter.com/wMzDduOZzk

— Katie Couric (@katiecouric) November 9, 2018

De acordo com os dados do Gun Violence Archive, citados pelo The Vox, nos últimos anos quase todos os dias existem tiroteios. A organização define um tiroteio como um “evento em que quatro ou mais pessoas, excluindo o atirador, são atingidas, mas não necessariamente mortas, num tempo e lugar semelhantes”. De acordo com esta definição, em 2018 já existiram 311 tiroteios em território norte-americano, os quais resultaram em 310 mortes.

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