expresso.sapo.ptexpresso.sapo.pt - 10 nov 16:00

Subida dos salários é a maior desde a crise

Subida dos salários é a maior desde a crise

O rendimento mensal líquido dos trabalhadores por conta de outrem está a crescer em 2018 ao maior ritmo desde 2011

Ao fim de vários anos de recuperação do mercado de trabalho, com subidas sucessivas no emprego acompanhadas por quedas do desemprego, os salários em Portugal estão finalmente a aquecer. Os dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) e da Segurança Social apontam no mesmo sentido: uma aceleração no aumento do rendimento dos trabalhadores por conta de outrem.

No terceiro trimestre, o rendimento médio mensal líquido dos trabalhadores por conta de outrem subiu 3,5% em termos homólogos, para €891. Isto depois de ter registado subidas homólogas de 4,2% no segundo trimestre e 3,5% nos primeiros três meses deste ano. São as variações mais altas da atual série do INE, que começa em 2011.

É certo que esta evolução do rendimento líquido conta com alguma ajuda do ministro das Finanças, Mário Centeno, pelo efeito da redução do IRS. Tanto com o fim da sobretaxa como com a revisão dos escalões deste imposto. Mas não se esgota aqui. “É resultado também da melhoria do mercado de trabalho”, defende João Cerejeira, professor da Escola de Economia e Gestão da Universidade do Minho.

Os dados da Segurança Social sobre as remunerações médias mensais declaradas pelos empregadores sustentam esta teoria. Em junho deste ano apresentavam uma subida homóloga de 3,5%. É o resultado “da subida do salário por hora e também das horas trabalhadas por cada pessoa devido �� redução do trabalho a tempo parcial”, explica o economista.

Para esta evolução positiva contribuiu também a subida do salário mínimo, que em janeiro passou para os €580, mais 4,1% do que em 2017. Mas é fruto também da escassez de mão de obra que já se sente em vários sectores de atividade e que “pressiona para o aumento do valor do trabalho”, argumenta João Cerejeira.

Tudo somado, o economista considera que “vamos observar este ano um aumento dos salários acima do definido na concertação social e na contratação coletiva”.

PRECARIEDADE CONTINUA A AUMENTAR

As boas notícias no mercado de trabalho não chegam, contudo, à precariedade. Aliás, o aumento do emprego no terceiro trimestre do ano foi acompanhado por uma subida ligeira do número de empregados em situação precária. Os trabalhadores por conta de outrem com contratos a termo ou outras situações (classificação onde o INE inclui os contratos de prestação de serviços) são agora 22,2% do total dos trabalhadores por conta de outrem. Um número que no segundo trimestre estava nos 22,1% e que nos primeiros três meses do ano não foi além dos 21,7%.

O emprego está a crescer tanto na contratação permanente (mais 2,7% em termos homólogos e 0,5% face ao trimestre anterior) como nos contratos a termo e prestadores de serviços (mais 1,1% em termos homólogos e 1,3% em cadeia). “Há transformação de contratos a termo em contratos permanentes. Mas, como o emprego está a expandir, muitas vezes a entrada é feita por contratos a termo”, frisa João Cerejeira. Daí não haver uma redução da precariedade.

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