observador.ptobservador.pt - 8 nov 19:21

Startup vencedora da Web Summit não leva nenhum cheque para casa, mas fica contente pela “reputação”

Startup vencedora da Web Summit não leva nenhum cheque para casa, mas fica contente pela “reputação”

Mais de mil startups candidataram-se para ganhar o PITCH: 168 foram escolhidas. No final, a vencedora foi a Wayve. Não houve prémio monetário, mas a "reputação da Web Summit" motivou a candidatura.

“O nosso objetivo foi mostrar a nossa missão para a audiência na Web Summit”, assumiu aos jornalistas Alex Kendall, o investigador da Universidade de Cambridge que ganhou o PITCH, o concurso de startups da Web Summit. Em 2017, podem ter existido 50 mil euros e uma parceria com a Mercedez, mas, este ano, o facto de “a reputação deste evento ser a primeira audiência para o empreendedorismo” foi suficiente para cativar o vencedor a ir a Lisboa apresentar aquela que pode ser a solução para os carros começarem a andar sozinhos.

A história da Wayve é bastante recente. Foi em 2018 que dois colegas investigadores pós-doutorados de Cambridge, Amar Shah e Alex Kendall, utilizaram o conhecimento em machine learning para mudar a forma como se criam sistemas para carros autónomos. Como explicou Alex Kendall:”Estamos a desenvolver uma solução de condução autónoma que se foque mais na inteligência do que em atirar um número de sensores para este problema”. Segundo o académico, “se se tiver 100 sensores laser num carro o sistema pode ficar confuso” e o que querem é que “o carro perceba o problema”.

Como se trata de uma startup muito recente, “a esta escala” foi a primeira vez que foram reconhecidos com um prémio assim. Contudo, mesmo sendo pequenos, o objetivo da startup é competir com gigantes como a Google ou a Uber, que já estão a trabalhar nesta tecnologia. “A audiência e o júri pareceram gostar do que fizemos. Acho que isto vai criar um grande crescimento para a nossa empresa”, confessou Kendall, que recebeu o prémio.

Com o produto que já desenvolveram, querem ser a primeira empresa de veículos de condução autónoma “a estar em 10o cidades”. Quanto a virem para Portugal, não há certezas, mas Kendall assume que “adorava ver esta tecnologia” no país. “A condução autónoma vai ter imensas vantagens”.

O truque para um pitch? “Resultados”

Para fazer o melhor pitch [apresentação do produto para cativar investidores] o Kendall deixa um conselho muito direto: “Acho que tens de confiar que a tua equipa e os resultados falam por si mesmo. Somos uma empresa mesmo tecnológica e temos muito orgulhos nisso e nos resultados que lançamos”, afirmou.

A pequena startup, além destes académicos, é composta por peritos em robótica e inteligência artificial, que já passaram por Oxford, pela NASAS ou pela Microsoft, além de ter investimento direto de um concorrente, o responsável máximo pela ciência da Uber, como contavam ao TechCrunch no início de 2018. A tecnologia que estão a construir pode ser complicada, até mesmo para os próprios fundadores. Pode parecer estranho, mas é a premissa deste sistema de inteligência artificial que pode ter chamado a atenção do público da Web Summit: “Se quisermos construir sistemas de inteligência artificial para problemas grandes como a condução autónoma, como uma sociedade, vamos ter de aceitar que os sistemas que vamos construir vão ser muito complexos para percebermos”.

Mesmo estando ainda numa fase inicial, a Kendall olha para o futuro com bastante otimismo: Os próximos 10 anos vão ser mesmo entusiasmantes. Queremos estar na vanguarda desta tecnologia. O que antecipo é que vamos crescer primeiro com uma pequena frota em Cambridge e, daí, começamos a trabalhar com grandes empresas”.

Segundo os júris do concurso do PITCH, a Wayze ganhou por terem a equipa certa, o mercado certo e provas dadas num produto inicial. “Se continuarem a fazer o que estão a construir, vão ser enormes”, assumiu Tom Stafford, da DST, um dos júris.

O concurso do Pitch da Web Summit começou nos moldes atuais em 2014. Depois das candidaturas, são escolhidas cerca de 200 startups para chegarem ao palco final. Quem decide quem lá chega é o júri, composto por investidores internacionais, numa apresentação moderada pelo próprio Paddy Cosgrave, o organizador do evento. Os empreendedores sobem a palco para venderem o seu produto num curto espaço de tempo (atualmente, são quatro minutos). Em suma, têm de fazer um “pitch perfeito”. Desde 2014, os vencedores deste concurso foram a Import.io, a portuguesa Codacy (ainda quando Web Summit estava em Dublin), a Bizimply, e a Kubo-Robot, além da Lifeina. Em 2016, o prémio eram 100 mil euros. Em 2017, foram 50 mil. Já este ano, foi “a reputação”.

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