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Os robôs que vêm dar-nos o nosso emprego

Os robôs que vêm dar-nos o nosso emprego

A inteligência artificial entrou no recrutamento. Jeanne Meister, da Future Workplace, explica como causar boa impressão.

As novas ferramentas de inteligência artificial chegaram ao local de trabalho e ao departamento de recursos humanos. Cada vez mais, serão elas a filtrar perfis e a conduzir entrevistas. E cair nas boas graças das máquinas não será muito diferente de uma estratégia de otimização de texto para motores de busca (SEO, na sigla inglesa): há que usar as palavras-chave certas para manter a atenção.

“Sim, é SEO. É a era em que vivemos”, diz Jeanne Meister, fundadora da Future Workplace, uma consultora e rede global de empresas que antecipa as tendências mais transformadoras do setor.

Meister foi na última semana oradora convidada da Business Transformation Summit, do Centro de Estudos de Gestão e Organização Científica (CEGOG). No encontro com gestores portugueses de recursos humanos, as dúvidas não foram muito diferentes daquelas que estão hoje a ser levantadas pelos recrutadores norte-americanos: como reter a experiência humana?

“Aquilo que considero realmente importante para chegar onde se quer é perceber que acrescentar inteligência artificial melhora a experiência e permite que trabalhos que implicam uma larga componente administrativa e rotineira sejam reduzidos com uma ferramenta que pode ser treinada para que os indivíduos produzam um maior valor e um melhor nível de serviços à organização”, diz.

“O uso ideal dos chatbots é para posições júnior em que há um grande volume de vagas e candidaturas”, diz Jeanne Meister.

Nos EUA, a taxa de adoção de inteligência artificial no local de trabalho atinge os 6%, segundo dados de um estudo conjunto da Future Workplace e da Oracle. E, entre estes primeiros adotantes, a maior parte está a recorrer aos robôs para a tarefa de recrutar. Nestes casos, são já os chatbots a direcionar os perfis certos para as vagas em aberto, e também eles quem conduz a primeira entrevista de seleção, por vídeo e com base em marcadores-padrão que permitem avaliar aspetos comportamentais.

“O uso ideal dos chatbots é para posições júnior em que há um grande volume de vagas e candidaturas”, diz Jeanne Meister. Alguns exemplos de adoção estão hoje na hotelaria. A cadeia Hilton, que lida com dois milhões de candidaturas por ano, desenvolveu o sistema Ally, e a Marriott tem já a segunda versão de um recrutador robô, o MC. O sistema Watson, da IBM, também tem vindo a ter cada vez maior adesão em diferentes setores, e a Future Workplace fez contas a mais de 300 empresas apoiadas por capital de risco dedicadas a desenvolver os novos sistemas – com uma forte concentração nos EUA e no Canadá.

Para Meister, o futuro do recrutamento é este. E há que saber lidar com ele. “Quem tem um bom perfil de LinkedIn sabe que deve incluir certas palavras-chave que vão atrair potenciais recrutadores e empregadores. Do mesmo modo, responder às perguntas de um chatbot é como dar vida ao perfil de LinkedIn. Há que usar as mesmas palavras-chave para descrever competências.”

Já na fase da primeira entrevista, os critérios não são muito diferentes dos de um recrutador humano. “Os candidatos são avaliados não apenas pelas respostas que dão, mas também pelo tom de voz, pelo grau de conforto que demonstram, pelo nível de entusiasmo, pela assertividade. Há um padrão.” E, no fim, uma vantagem: “Reduz a imparcialidade no recrutamento e torna-o mais eficiente.”

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