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Proptech. CBRE tem 30 mil euros para "uberizar" o setor imobiliário

Proptech. CBRE tem 30 mil euros para "uberizar" o setor imobiliário

Startups têm até 31 de outubro para enviar a candidatura ao Proptech Challenge

A tecnologia está, finalmente, a bater à porta do setor imobiliário. O conceito chama-se proptech, ainda não está nas bocas do mundo mas há meses que não sai do radar das promotoras.

A revista Forbes chama-lhe “o fenómeno que está a marcar a tecnologia mainstream em 2018″. Uma definição que lhe faz justiça, afirma Francisco Horta e Costa, diretor-geral da consultora CBRE em entrevista ao Dinheiro Vivo.

“Começámos a prestar atenção ao conceito há cerca de ano e meio. A tecnologia tem chegado tarde ao imobiliário, ou melhor, o imobiliário é que tem tardado em adotar a tecnologia. Por isso esta mudança é bem-vinda”.

Não só bem-vinda como necessária, sublinha o responsável. “Durante muitos anos o negócio fez-se da mesma maneira. Hoje vai muito além da transação simples entre ocupante e proprietário. Olhamos à volta e vemos uma série de negócios a serem “uberizados”. Ou seja, setores que eram supostamente à prova de bala, tradicionais, mas que acabaram por se abrir às inovações disruptivas. E o nosso não é exceção”.

Na CBRE, o orçamento disponível para investir em tecnologia tem aumentado todos os anos. As apostas do grupo vão da criação de aplicações para telemóvel que facilitam as inspeções aos imóveis a uma plataforma dirigida a investidores, que permite procurar oportunidades em todo o mundo através do telemóvel.

Foi assim que surgiu o Proptech Challenge.

O desafio às startups e projetos independentes arrancou no ano passado, apenas em Espanha. O sucesso da iniciativa fez com que o grupo quisesse estender o projeto a outros países, Portugal incluído. “Queremos ser os primeiros a absorver a tecnologia que está a mudar o setor”, declara Francisco Horta e Costa.

Desde 3 de setembro que a empresa está a receber candidaturas ao Proptech Challenge. O prazo estende-se até 31 de outubro. Os vencedores serão conhecidos em fevereiro do próximo ano.

“O objetivo é procurar talentos na área digital, que criem projetos que tenham aplicação no mercado imobiliário”.

Em jogo estão dois prémios: a startup vencedora recebe 2o mil euros de apoio financeiro, a integração num programa de aceleração da CBRE e a participação num roadshow.

O segundo prémio é destinado a uma “ideia disruptiva”, ou seja, algo que, ao contrário de uma startup, seja completamente novo e ainda não exista como negócio. A melhor recebe 10 mil euros, o programa de aceleração e o roadshow.

O objetivo, detalha o responsável, é que no futuro algumas das ideias possam ser adotadas pela CBRE. Entre os projetos já submetidos ao concurso, o destaque vai para as áreas da inteligência artificial e realidade aumentada.

Francisco Horta e Costa não arrisca adivinha qual será o futuro modelo de negócio do setor imobiliário, mas não tem dúvidas de que “continua a trabalhar-se à moda antiga e há muito por onde tornar o negócio mais eficiente e atrativo”.

Descarta que as máquinas venham a substituir completamente as pessoas, porque “a decisão do investimento vai continuar a ser à base de confiança em pessoas e opiniões”. Quanto muito, conclui, “a tecnologia vai tornar negócio mais eficaz e em alguns casos substituir a folha de Excel, libertando as pessoas para outras coisas”.

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