visao.sapo.ptvisao.sapo.pt - 13 out 20:00

A ilusão ótica que confunde o cérebro e nos faz ver coisas que não existem

A ilusão ótica que confunde o cérebro e nos faz ver coisas que não existem

Uma nova ilusão ótica criada por investigadores do Instituto de Tecnologia da Califórnia, explica um fenómeno específico que acontece no cérebro, fazendo-o "viajar no tempo". Veja o vídeo e faça a experiência

Cientistas do Instituto de Tecnologia da Califórnia, conhecido por Caltech, desenvolveram uma ilusão ótica que ajuda a explicar um acontecimento peculiar que ocorre no cérebro e que pode experimentar no vídeo (em inglês).

A ilusão, denominada pelos investigadores "Illusory Rabbit" ("o coelho ilusório" em português) envolve múltiplos bips e flashes e funciona da seguinte maneira: primeiro, deve focar o olhar na cruz que aparece no meio do ecrã. Depois, tem de olhar para os flashes que aparecem no ecrã e contar quantos vê, ao mesmo tempo que se ouvem três bips.

Depois disso, deve contar novamente os flashes que observa, mas desta vez sem o som dos bips. Caso consiga ver três flashes, tente perceber onde estava localizado o segundo deles.

O que acontece é que a maioria vê o segundo flash de luz entre o primeiro e o segundo mas, na realidade, só aparecem dois flashes. Isto ocorre devido a um truque do cérebro que faz com que as pessoas consigam perceber certas situações. Esta ilusão pode ser explicada por um fenómeno denominado "posdiction processing" (que, em português, pode ser traduzido por processamento pós-congnitivo).

Muitas vezes, as ilusões provocam este tipo de processamento, em que o cérebro armazena informações após um evento, com o objetivo de explicar retroativamente o que pode ter acontecido no momento desse evento.

"Apesar de aparecerem apenas dois flashes, a maioria das pessoas vê três, sendo que um deles é um flash ilusório condicionado pelo segundo bip, e que parece estar localizado no centro do ecrã", explica a Caltech.

"Quando o último par bip-flash é apresentado, o cérebro assume que deve ter perdido o flash associado ao bip não emparelhado e inventa, literalmente, um segundo flash" explica Noelle Stiles, principal autora do estudo.

Neste estudo, consegue perceber-se como as ilusões são importantes para explicar certos processos que ocorrem no cérebro, a forma como ele interpreta diferentes sentidos e como é que eles se influenciam uns aos outros.

“Ao investigar as ilusões, conseguimos estudar o processo de tomada de decisão do cérebro. Por exemplo, como é que o cérebro determina a realidade com informações provenientes de múltiplos sentidos, que às vezes são ruidosos?", explica a investigadora.

Noelle diz que o cérebro faz suposições sobre o meio ambiente com a finalidade de resolver esta questão e, quando as suposições estão erradas, ocorrem essas ilusões porque o cérebro tenta "escapar" a essa situação confusa.

De acordo com os investigadores, isto pode ajudar a explicar como o cérebro combina os sentidos no tempo e no espaço para desenvolver uma explicação de um evento ocorrido.

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