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A semana em oito gráficos: Bolsas europeias registam maior queda semanal desde Fevereiro

A semana em oito gráficos: Bolsas europeias registam maior queda semanal desde Fevereiro

As bolsas do Velho Continente registaram uma esta semana a maior queda dos últimos oito meses.
Bolsas do Velho Continente caem mais de 4% As principais praças da Europa Ocidental registaram quedas superiores a 4% esta semana. O movimento de sell-off nos EUA acabou por contagiar o Velho Continente, cuja descida semanal foi a mais acentuada desde Fevereiro passado, com o índice Stoxx600 a recuar para mínimos de Dezembro de 2016. PSI-20 cede 3,79% na semana O índice de referência nacional recuou 3,79% no cômputo da semana, ampliando para 7,08% a sua perda no acumulado do ano. A maior queda na praça lisboeta foi da Altri, que afundou 12,46%. A travar maiores perdas no acumulado entre segunda e sexta-feira estiveram as duas únicas cotadas com saldo positivo na semana: a Sonae e a Sonae Capital. Altri lidera descidas na praça lisboeta A Altri desvalorizou 12,46% na semana, numa altura em que o sector do papel esteve em queda acentuada na Europa depois de terem sido publicadas notas de análise onde as empresas americanas foram alvo de cortes de avaliação significativos. Os receios alastraram-se ao Velho Continente e as empresas portuguesas não escaparam. A Pharol, Mota-Engil, Corticeira Amorim e Galp Energia foram outras das cotadas que mais terreno perderam no PSI-20. Man e Hays pressionam desempenho do Stoxx600 A fabricante alemã de veículos pesados Man e a empresa britânica de recrutamento Hays foram as cotadas do índice de referência europeu Stoxx600 que mais caíram esta semana, ao recuarem 17,02% e 16,23%, respectivamente. O Stoxx600 perdeu, no cômputo dos cinco dias, 4,64%, para 358,96 pontos – mínimos de 30 de Dezembro de 2016. WestRock penaliza S&P 500 A WestRock, empresa norte-americana de embalagens de papelão ondulado, perdeu 16,34% esta semana, tendo sido a cotada do Standard & Poor’s 500 que mais caiu, contribuindo para a perda agregada de 4,42% do índice. A pressionar a cotada esteve a o furacão Michael, que levou a que a WestRock encerrasse logo na segunda-feira as suas instalações na Florida. Turbulência bolsista e inflação debilitam dólar Apesar de a nota verde ter ganho terreno na sexta-feira, face às suas principais congéneres, no acumulado da semana depreciou-se face ao iene e ao euro – penalizada pela turbulência que assolou o mercado de acções e pelos dados da inflação nos EUA que mostraram que o crescimento dos preços moderou em Setembro. Petróleo quebra mais de 4% em Londres O preço do petróleo registou uma queda no saldo da semana, à conta dos receios em torno da quebra da procura. As cotações já estavam a descer devido à expectativa de que o furacão Michael iria penalizar a procura por combustíveis, nos Estados Unidos, quando a OPEP cortou as estimativas para a procura por petróleo dos seus membros, em 2019, agravando ainda mais as descidas. O Brent do Mar do Norte, que é negociado em Londres e serve de referência às importações europeias, caiu 4,79% entre segunda e sexta-feira. Juros da dívida aliviam nos EUA Apesar do sell-off ao longo das sessões no mercado da dívida dos EUA, as obrigações terminaram sempre em alta – ou seja, com os juros a descer mas a manterem-se acima dos 3%. As obrigações norte-americanas são um activo-refúgio por excelência e apesar de menos procura devido à robustez da economia do país, o facto de o Fundo Monetário Internacional ter revisto em baixa as perspectivas de crescimento ajudou a uma retoma do investimento nestes títulos.

A praça lisboeta e os restantes mercados accionistas europeus registaram a maior queda semanal desde Fevereiro, num acumulado de cinco sessões com fortes depreciações. A maioria dos índices caiu mais de 4% no saldo da semana, tendo o nacional PSI-20 perdido mais de 3%.

O mais recente movimento de venda (sell-off) de acções foi técnico e também motivado pela derrocada nas bolsas norte-americanas, explicou à Bloomberg um estratega da Multi Asset Funds, John Roe.

Segundo este analista, numa opinião partilhada por muitos outros, não há um catalisador evidente para estas quedas, se bem que a subida das taxas de juro nos EUA seja um factor de pressão.

"É difícil de avaliar se a reacção em baixa [à subida dos juros pela Reserva Federal] dos mercados norte-americanos já terminou. Serão as bolsas dos EUA, não da Europa ou da Ásia, que definirão a tendência para o que possa estar para vir", acrescentou Roe.

Além das taxas de juro, outro factor que castigou as bolsas foi a incerteza em relação ao Orçamento de Itália para 2019 e a reacção da Comissão Europeia, bem como a revisão em baixa das estimativas de crescimento mundial por parte do Fundo Monetário Internacional (FMI).

O Fundo dirigido por Christine Lagarde publicou na terça-feira, 9 de Outubro, o seu "outlook" económico mundial, onde considera que a economia global já não vai acelerar nos próximos anos, avisando também que os riscos negativos para o crescimento aumentaram.

Em relação à evolução de Portugal em 2019, o FMI vê uma economia a crescer mais devagar e ligeiramente mais desequilibrada. Assim, manteve a previsão de abrandamento para a economia portuguesa no próximo ano, mas agravou ligeiramente o défice da balança corrente. Para 2018, as perspectivas do FMI vão ao encontro das do Governo de António Costa: o PIB deve crescer 2,3%.

Nos restantes mercados, os principais activos negociaram muito ao sabor do seu estatuto de valor-refúgio nesta actual situação de incerteza, como é o caso do dólar, que beneficiou dos receios dos investidores e da sua maior aversão ao risco num contexto em que também a guerra comercial EUA-China continua a ser um factor de pressão para as bolsas.

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