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Ala dos Namorados celebra 25 anos de uma portugalidade pop

Ala dos Namorados celebra 25 anos de uma portugalidade pop

A Ala dos Namorados celebra 25 anos no Coliseu de Lisboa com convidados: António Zambujo, Carlão, João Gil, Moz Carrapa, Rui Veloso e Shout. Este sábado, às 21h30.

Foi há um quarto de século que a Ala dos Namorados deu a ouvir as suas primeiras canções. Há bem menos do que a ala militar que lhe deu nome, conhecida pela bravura com que combateu na Batalha de Aljubarrota, há 633 anos. Mas se esta última era composta por 200 lanceiros e 100 besteiros, todos jovens (daí o nome), a Ala musical nossa contemporânea teve por fundadores Manuel Paulo, João Gil e João Monge, aos quais se juntaria depois Nuno Guerreiro, como vocalista. Isso foi em Maio de 1993 e o primeiro disco só viria a surgir em Março de 1994, após um concerto fundador, não em Portugal mas em Bruges, na Bélgica. Hoje, com a Ala “reduzida” a duo, com Manuel Paulo e Nuno Guerreiro como elementos fixos e outros em rotatividade, celebram os 25 anos da fundação com um concerto no Coliseu de Lisboa, este sábado, às 21h30. Ao do Porto irão em 2019.

Dois acasos e uma voz

Quando começaram, não tinham sequer nome. “Escolher o nome para um grupo é uma tarefa um bocado ingrata”, diz ao PÚBLICO Manuel Paulo. “Fizemos uma reunião, havia vários nomes em cima da mesa e o António Avelar Pinho [Filarmónica Fraude, Banda do Casaco, que era o manager do grupo na altura] acabou por sugerir esse. E assentou que nem luva, apesar de na altura termos estranhado.” Ainda sem vocalista, este acabou por surgir devido a um acaso. Manuel Paulo tinha assistido, no São Luiz, ao concerto de Carlos Paredes (já editado em vídeo) onde Nuno Guerreiro cantara, como convidado. “Um ano depois de começarmos a fazer as canções, eu, o [João Gil] e o [João] Monge, lembrei-me daquele jovem com uma voz de contratenor, que era uma coisa rara na altura, exótica.” E acharam que talvez ele pudesse “pegar numa ou noutra” canção. “Falámos com ele, eu fui lá casa, ele cantou as músicas todas, e ficou.”

É já com ele que actuam em Bruges em Fevereiro de 1994, mesmo sem qualquer disco gravado. Outro acaso. “Um dos organizadores do festival conhecia o Pinho, que lhe terá mostrado uma gravação nossa. E pelas características do festival, eles convidaram-nos e fomos muito bem recebidos.” “E voltámos lá outra vez”, recorda Nuno Guerreiro, que se lembra bem dessa estreia. Não só lá, diz. “Depois corremos quase o mundo todo.”

PUB Coliseu, uma estreia

Mas no Coliseu dos Recreios nunca tinham feito um concerto só seu, é esta a primeira vez. Apesar de no primeiro disco terem uma canção intitulada Uma noite no coliseu: “Gosto muito desse fado”, diz Nuno Guerreiro. “Cantei-o poucas vezes, e uma delas foi para a Amália, num programa de televisão que se chamava Noite de Reis. Ela estava lá e nós tivemos o privilégio de conversar com ela. Eu já a tinha conhecido, ainda dançava, era miúdo, e, é engraçado, foi no Coliseu dos Recreios. Nem sonhava ser cantor.”

Manuel Paulo só tardiamente passou a gostar de fado, Nuno Guerreiro não. “Eu sempre cantei fado, inconscientemente já cantava. Porque a minha mãe adora fado e cantava muito para mim. E muitas canções da Ala tinham raízes no fado.” Numa sonoridade que Manuel Paulo sintetiza assim: “A portugalidade está absolutamente definida. Acho que se percebe que é um grupo português, mesmo quando vamos pelo lado mais pop. Mas conseguimos ir a universos muito distantes, o jazz, a clássica, a pop, o vaudeville, sem nunca perder a nossa impressão digital. E conseguimo-lo ao longo dos anos.”

Convidados e inéditos

No coliseu, com João Gil e Moz Carrapa, a formação original estará presente nalguns temas. “Estivemos a ensaiar e correu como água”, diz Nuno Guerreiro. Mas haverá outros músicos: Alexandre Frazão (bateria), Mário Delgado (guitarras), Zé Nabo (baixo), Rúben da Luz (trombone) e, nalguns temas, também violoncelo e clarinete. Como convidados, estarão António Zambujo, Carlão, João Gil, Moz Carrapa, Rui Veloso e Shout. “Todos os convidados já trabalharam connosco”, diz Manuel Paulo. “Na realidade, nós já fizemos duetos com muita gente. E é engraçado ver que o Carlos do Carmo casa bem com a Ala dos Namorados, da mesma maneira que o Carlão.”

O alinhamento, acrescenta Manuel Paulo, será “um bocado transversal”; “Por um lado, temos as canções que não podemos deixar de fazer. Por outro, temos as que nos dão mais prazer tocar e que não são menores, apesar de serem menos conhecidas ou radiodifundidas.” E haverá dois inéditos, com letra do João Monge (“que é metade da Ala sem sair de casa”) e música de Manuel Paulo: Culpada e Ala Alfama, uma marcha que nunca foi tocada ao vivo e terá aqui estreia absoluta. “A carreira da Ala está muito bem contemplada aqui. Temos convidados e um grupo acrescido. Vai valer a pena.”

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