rr.sapo.ptrr.sapo.pt - 13 out 15:08

Sabe quantos anos tem a oliveira mais velha do país?

Sabe quantos anos tem a oliveira mais velha do país?

Tem 3.350 anos, é conhecida como a “Oliveira do Mouchão”, situa-se no concelho de Abrantes e continua a produzir azeitona.

É conhecida como a “Oliveira do Mouchão”, está no concelho de Abrantes, e é a mais velha de Portugal. A árvore, com 3.350 anos, continua a produzir azeitonas, e foi identificada e classificada por investigadores da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD).

A Oliveira do Mouchão, em Cascalhos, tem perímetro base de 11,2 metros, um perímetro à altura do peito de 6,5 metros e uma altura de tronco até às primeiras pernadas de 3,2 metros.

“A oliveira está muito bem adaptada ao nosso clima mediterrâneo, e por isso atinge uma notável longevidade”, explica José Luís Louzada, o investigador UTAD, que lidera a equipa que criou o método científico capaz de datar oliveiras antigas.

O método científico aplicado na datação é considerado “inovador a nível internacional” e foi criado pela universidade, numa parceria com a “Oliveiras Milenares”. Desde 2011, já foram datadas cerca de 200 árvores com cerca de 2.000 anos, em Portugal e no estrangeiro.

Segundo o investigador, em Portugal “há centenas de oliveiras que já ultrapassam a idade de Cristo” a maioria das quais se encontram a sul do Mondego.

“É, sem dúvida, um dos seres vivos que mais resiste ao tempo, pela sua grande capacidade de rejuvenescimento. Um pedaço de tronco por mais velho que esteja tem a capacidade de voltar a rebentar e a oliveira continuar a produzir azeitona”, explica José Luís Louzada, observando que, “em teoria, uma oliveira pode viver uma eternidade, ultrapassando a idade das inúmeras gerações que passem pelo mesmo território”.

Por isso, acrescenta José Luís Gonzaga, “não é em vão que, em muitos territórios nacionais, quem é dono das terras não é dono das oliveiras. Estas estão doadas, desde há séculos, a instituições que garantam a longevidade do seu uso, como sejam algumas irmandades religiosas ou as próprias misericórdias. E o azeite produzido é, muitas vezes, para sustento das igrejas e capelas ou para alumiar nas lamparinas”.

De entre as oliveiras mais velhas de Portugal já identificadas, destacam-se, além da “Oliveira de Mouchão”, as de Santa Iria de Azóia, com 2.850 anos e várias em Monsaraz, uma delas com 2.450 anos.

Há também oliveiras milenares em Estremoz, Montemor-o-Novo, Lagoa, Beja, Vila Moura, Évora, Parque de Serralves do Porto, entre outros pontos do país.

No estrangeiro, a UTAD já classificou oliveiras em Bordéus, Girona, Málaga e na Ilha de Menorca, onde passou a certidão de idade a uma arvore com 2.310 anos.

O método usado pela UTAD para classificar as árvores antigas “baseia-se no estudo dos padrões de crescimento das árvores a partir dos troncos ocos, usando a metáfora das ‘matrioskas’ - as bonecas russas, que vão saindo umas de dentro das outras”.

O cálculo é feito através de um modelo matemático que relaciona a idade com uma característica dendrométrica do tronco, como seja o raio, diâmetro, a altura ou perímetro do tronco.

A nova metodologia não provoca a destruição da árvore, já que não obriga ao seu abate, permite a sua utilização em árvores ocas e não provoca lesões que comprometam a sua sanidade.

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