expresso.sapo.ptexpresso.sapo.pt - 13 out 12:00

Bingo do Atlético vai ser transformado em habitação

Bingo do Atlético vai ser transformado em habitação

O edifício foi vendido no final de julho, depois de oito meses de tentativas para o salvar. Prejuízos de €20 mil mensais ditaram o seu fim. O comprador foi a Habitat Invest que ali prevê construir cerca de 35 apartamentos

O Bingo do Atlético Clube de Portugal, em Alcântara, em Lisboa, foi vendido e vai ser transformado em habitação. O comprador foi a promotora imobiliária portuguesa Habitat Invest que está a estudar construir ali cerca de 35 apartamentos com áreas entre os 35 m2 e os 50 m2.

“Ainda é cedo para saber exatamente o que vamos fazer, porque é um projeto muito recente e estamos a começar o trabalho com os arquitetos”, adianta ao Expresso o responsável pela área comercial da empresa, Ernesto Portugal.

De facto, tratando-se de um edifício que atualmente tinha uso comercial, ter-se-á que pedir à Câmara uma alteração de licença de utilização, que ditará com mais pormenor o tipo de intervenção que se pode ou não fazer. Este processo pode ser demorado, porque, diz o mesmo responsável “tudo demora tempo nas câmaras”.

Além disso, a escritura de compra e venda ainda não está feita, apesar de o negócio ter ficado fechado há cerca de mês e meio. “Foi uma operação-relâmpago. Soubemos que estava à venda, fizemos uma proposta e em poucas semanas fechámos o negócio”, conta Ernesto Portugal.

De facto, dá para perceber o interesse da Habitat Invest, atualmente uma das principais promotoras imobiliárias em Portugal, com atividade principalmente na Grande Lisboa e focada apenas em habitação. O edifício que albergava o Bingo de Alcântara fica a metros da Avenida de Ceuta, do Largo do Calvário, da Doca de Santos, do rio Tejo e, em breve, terá mesmo em frente o novo hospital da CUF Infante Santo.

Prejuízos elevados ditaram a venda

Se para a Habitat Invest este foi um processo rápido, para o Atlético Clube de Portugal foi precisamente o oposto.

“Este processo começou em outubro do ano passado, e o objetivo nem era vender, pelo contrário”, conta ao Expresso o atual presidente do clube, Ricardo Delgado. Quando, no início de 2017, os membros da nova direção tomaram posse, depressa perceberam que manter o Bingo estava a tornar-se incomportável, dado o elevado prejuízo que o negócio vinha acumulando há anos.

Segundo Ricardo Delgado, em 2016 as dívidas ascendiam a €60 mil, em 2017 escalaram para €170 mil e este ano o prejuízo já chegava aos cerca de €20 mil por mês. “Era de facto um prejuízo gigante para o clube e não podíamos sobreviver com essas dívidas mensais”, conclui o presidente da coletividade.

Tentaram ainda dinamizar e promover o espaço. “Mudámos horários, criámos a Bola da Sorte, mas nada resultou”, continua. Foi então que decidiram fechar e arrendar o espaço, sem grandes melhorias. “Como íamos fechar, tínhamos de dispensar as 30 pessoas que lá trabalhavam e, por isso, estávamos a pedir aos potenciais novos inquilinos que pagassem um adiantamento das rendas, de modo a que pudéssemos cobrir, entre outras coisas, as indemnizações a pagar aos funcionários pelo despedimento coletivo e ainda os salários que já estavam em atraso”, conta Ricardo Delgado.

Ainda receberam “duas ou três propostas” para arrendar, de várias atividades distintas, mas nenhuma destas propostas satisfazia “as condições pedidas”, o que se percebe porque “ainda era uma quantia muito elevada”, esclarece Ricardo Delgado.

Foi então que decidiram vender. “Era a opção que o clube não queria. Mas temos outras dificuldades financeiras e não conseguíamos suportar dívidas de €20 mil por mês. Seria o fim do clube a curto prazo”, comenta com algum pesar.

Esta decisão teve que ser aprovada pelos sócios do Atlético Clube de Portugal e após votação favorável deram início ao processo. “Recebemos três propostas, sendo que a última foi a de maior valor e, por isso, foi a que aceitámos”, adianta Ricardo Delgado, sem, no entanto, revelar o montante pago pela Habitat Invest.

Questionada, a própria empresa escusou-se a responder, porque, apesar de o negócio estar fechado, a escritura ainda não foi firmada pelas partes. Uma coisa adianta o presidente do clube, a quantia paga chega para cobrir o valor do despedimento coletivo.

Este processo ficou concluído em final de julho, coincidindo com o encerramento do Bingo. E se tiver curiosidade e resolver fazer uma pesquisa no Google por “Bingo do Atlético” pode ler com letras brancas num fundo vermelho: “Encerrado permanentemente.”

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