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Sistema português põe Internet nos países menos desenvolvidos em cinco anos

Sistema português põe Internet nos países menos desenvolvidos em cinco anos

Investigadora Vanessa Duarte ganhou dois prémios graças a um processador que substitui os fios de cobre no interior do chip por fibras ópticas.

Portugal quer ter uma palavra a dizer nos projetos para que a Internet chegue a todos os lugares do mundo. A investigadora da Universidade de Aveiro Vanessa Duarte desenvolveu nos últimos quatro anos uma nova geração de sistemas de telecomunicações para satélites, que servirá para aumentar a velocidade da Internet, prepará-la para o 5G e ainda fazer com que haja rede nos países mais remotos. O projeto Towards 5G acabou de ganhar dois prémios, um atribuído pela Altice e outro pela Agência Nacional de Inovação, no valor total de 30 mil euros.

“Desenvolvemos um processador fotónico, que substitui os fios de cobre no interior do chip por fibras óticas. Esta solução aumenta a capacidade de transmissão de dados, de 90GB por segundo para 1TB por segundo, ao mesmo tempo que diminui, em metade, o custo de lançamento e o custo de energia”, explica a investigadora ao Dinheiro Vivo.

Este processador “permite receber vários pacotes de informação de dados e consegue distinguir os diferentes sinais que são enviados e enviá-los de volta para outra estação para servir aos utilizadores já com os sinais separados e recuperados”. A solução também é “particularmente útil para o 5G, porque assim está tudo permanentemente conectado”. Uma boa rede de Internet 5G é crucial para garantir o funcionamento dos carros autónomos.

Leia aqui: 5G. A rede que vai colocar (ainda mais) as máquinas a falar umas com as outras

O trabalho de Vanessa Duarte foi desenvolvido entre o Instituto de Telecomunicações, em Aveiro – sob orientação científica de Rogério Nogueira e Miguel Drummond – e, durante 10 meses, no IHP – Leibniz-Institut für innovative Mikroelektronik (Alemanha) – sob orientação científica de Lars Zimmermann. O processador foi construído ao abrigo do projeto europeu Beacon onde participaram empresas como a Airbus Defence and Space, divisão de produtos das áreas da defesa e do espaço da empresa francesa.

Comercialização

Antes de começar a desenvolver os primeiros protótipos, Vanessa Duarte tem de acabar de escrever a tese de doutoramento pela Universidade de Aveiro. Seguem-se pelo menos mais cinco anos de trabalho até que o sistema possa realmente entrar em ação.

“Será desenvolvido um protótipo industrial, nos próximos três anos, para a Airbus e depois haverá um protótipo comercial, que irá demorar pelo menos dois anos até ficar pronto”, refere a investigadora.

O projeto português está no meio de outros grandes projetos que foram anunciados nos últimos anos para tornar a internet mais acessível aos países mais remotos. O projeto Loon, da Alphabet, com recurso a balões, é o exemplo mais conhecido e que continua a ser desenvolvido. Elon Musk e Mark Zuckerberg também já tentaram lançar vários projetos neste sentido, mas sem qualquer sucesso, para já.

Dobradinha

Depois de quatro anos de trabalho, Vanessa Duarte e os seus orientadores receberam dois prémios esta semana: ganharam a categoria Academia dos prémios de Inovação da Altice e receberam 25 mil euros por isso; a este galardão acrescentaram o prémio Born from Knowledge, da Agência Nacional de Inovação, no valor de cinco mil euros.

“Receber os dois prémios foi uma honra. Não estava nada à espera. Trabalhámos neste projeto durante quatro anos e foi mesmo muito gratificante”, admite Vanessa Duarte.

A investigadora portuguesa aproveita ainda para deixar uma sugestão às empresas. “Em Portugal desenvolvemos bastante tecnologia e temos bastantes projetos de investigação que podem ser realizados em parcerias com empresas. Portugal tem bastante qualidade e muitos projetos podem passar para a indústria.”

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