www.jornaldenegocios.ptjornaldenegocios.pt - 13 out 13:00

O maniqueísmo populista e a lição da mulher de César

O maniqueísmo populista e a lição da mulher de César

A Navigator estava a ver a vida a andar para trás com a taxa anti-dumping que lhe havia sido aplicada nos EUA. Com a sua redução de 37,34% para 1,75% a empresa recuperou o fôlego. Jair Bolsonaro mostra (se dúvidas ainda existissem) que a retórica maniqueísta que sustenta os populismos é chão que ainda vai dar muitas uvas. Matteo Salvini e Luigi Di Maio, vice-primeiros-ministros de Itália, reforçam esta convicção. O secretário de Estado da Energia, Jorge Seguro Sanches, parece ter esquecido o conselho contido no ajuizado provérbio: À mulher de César não basta ser honesta, tem de parecer honesta.
Confiança - Optimismo Diogo da Silveira
Os namorados

A Navigator, após um período de inquietação, recebeu boas notícias que chegaram dos EUA. O Departamento de Comércio norte-americano notificou a empresa que a taxa anti-dumping a aplicar retroactivamente nas vendas de papel realizadas para o país entre Agosto de 2015 e Fevereiro de 2017, afinal, será de 1,75% e não de 37,34% como havia fixado em Março. Esta decisão inverte as perspectivas financeiras da Navigator, que terá agora de ser reembolsada em 22 milhões de euros e irá ser menos penalizada nos lucros. Os accionistas agradecem e Diogo da Silveira pode suspirar de alívio.

Prudência - Incapacidade Salvini/Di maio
O eremita

Os dois vice-primeiros-ministros de Itália são, na realidade, a parelha que manda no Governo. Pertencem também à casta dos populistas que estão a ganhar poder um pouco por todo o mundo, independentemente do extremo em que se situam, direita ou esquerda. Como sempre, identificam um ou vários inimigos externos (neste caso, os mercados e a União Europeia), e afirmam agir em defesa dos seus cidadãos. Apresentam uma atitude messiânica e colocam-se acima de tudo e todos. Geralmente, as suas histórias acabam de forma triste, sobretudo para os cidadãos que dizem defender. Este é o caminho que Itália está a seguir.

Destino - Fatalidade Jair Bolsonaro
A roda da fortuna

O candidato do PSL à presidência do Brasil cilindrou à primeira volta e tudo indica que será o sucessor de Michel Temer. Bolsonaro integra a categoria de pessoas que é fácil odiar pelos valores que defende e será certamente um perigo para a democracia, tal como se concebe na Europa. Aposta no medo para conquistar votos e a sua retórica dura conquista quem vive todos os dias em insegurança. O êxito de Bolsonaro está, para já, nos 49 milhões de brasileiros que votaram nele de livre e espontânea vontade. Este inúmero é incontestável, por muito que isso custe aos seus críticos.

Fuga - Perplexidade Jorge Seguro Sanches
A carruagem

Quando se indica que um dos problemas em Portugal é haver muito Estado e pouca regulação, tal não significa que se deva meter o Estado a fazer o papel do regulador. Significa antes dar-lhe independência e credibilidade. As últimas escolhas do secretário de Estado da Energia para a ERSE (Entidade Reguladora do Sector Energético), pela polémica gerada, parecem ir em sentido contrário. Primeiro, indicou uma adjunta para a ERSE e agora um deputado PS, Carlos Pereira, que ainda terá de passar pelo crivo do Parlamento. Como sentencia o provérbio, "à mulher de César não basta ser honesta, tem de parecer honesta".

3
1