visao.sapo.ptPaulo Mendes Pinto - 12 out 17:06

Regressar ao indígena que somos?

Regressar ao indígena que somos?

O que não queremos surge no nosso dia-a-dia e tem de ser, não afastado, não combatido ou aniquilado, tem de ser “harmonizado” como parte do mundo que é. Não há lutas, nem exteriores nem interiores. Há procura de harmonia, mesmo entre o que surge como mau.

D.R.

Calixto Suarez e os Ahuarco

Há dias que terminam de forma saborosa.

A metodologia é simples: estar grato. Numa natureza tão rica, tão diversa. Capaz de tanto se regenerar, o centro de uma “prática” é uma espiritualidade do reconhecimento, do agradecimento, da gratuidade. Estar grato, simplesmente.

É tão simples esta mensagem. É tão transversal a tanto do que sobranceiramente chamamos de indígena, que nos mostra como, de alguma forma, a cultura nos foi afastando de uma integração na natureza.

No final desta conferência, que teve lugar na Univ. Lusófona, com o apoio da Associação DUNA, não resisti e entrei no longo debate que se gerou. Ironicamente, estar numa cultura que se coloca acima dos povos locais, roubou-nos essa serenidade de sermos “indígenas” de algum lugar e de alguma coisa.

Desenraizados, buscadores de sentidos, talvez por isso tenhamos, tantos de nós, a necessidade de ir “à terra” quando chega o Verão ou mal temos uns diazitos de férias. A busca por esta relação de harmonização com a natureza parece ser, realmente, transversal. Ou, se o não é, é uma pedagogia que nos dá serenidade. Só por isso, já valeu um fim de tarde que me fez pensar.

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