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Bons Ventos, Baixo Crescimento

Bons Ventos, Baixo Crescimento

Vivemos num momento excecional para Portugal. Apesar disso, Portugal continua com taxas de crescimento do PIB anémicas. E nós, Portugueses, resignados com a ideia que não podemos ter melhor. - Opinião , Sábado.

Vivemos num momento excecional para Portugal. Fazemos parte do segundo maior espaço económico do mundo, um mercado integrado de 500 milhões de consumidores. Continuamos a ter acesso a liquidez sem precedentes, vinda do Banco Central Europeu. As taxas de juro estão em mínimos históricos, praticamente zero. Investidores, e não só no imobiliário por causa do visto gold, olham para Portugal como um local seguro para investir.

Apesar disso, Portugal continua com taxas de crescimento do PIB anémicas. 2% não é suficiente. Nos últimos 20 anos é apenas marginalmente acima da média! É o terceiro pior crescimento da União Europeia. Nos últimos anos fomos ultrapassados por vários países recém incorporados na União. Eslovénia, Malta, ultrapassaram-nos em 10 anos. A República Checa, Eslováquia e Polónia a caminhar a largos passos para os ultrapassar. Países pequenos, subdesenvolvidos quando entraram, com problemas estruturais, alguns periféricos. Até Espanha, aqui ao lado, consegue crescer mais, cobrar menos impostos, ter salários mais altos e gasolina mais barata.

E nós, Portugueses, resignados com a ideia que não podemos ter melhor. Crescer 2% já é muito bom, mesmo que isso nos relegue novamente para a cauda da Europa.

O grande truque do nosso Primeiro Ministro, António Costa, foi ter conseguido vender a ideia que tudo está a correr bem. Que estamos na direção certa. E consegue fazê-lo, apesar dos resultados.

A dívida pública está, no melhor cenário, estabilizada. Muito graças a mais receita e apesar de uma ligeira subida na despesa do Estado. A dívida em termos de PIB tem caído, de forma algo tímida. Agora vamos lá ajustar isto para uma subida de taxas de juro. Vamos imaginar que as taxas de juro sobem. Como é que fica a dívida?

Reduzimos os horários da função pública, de 40 para 35 horas. Fantástico para quem é funcionário público. Um aumento de 12,5% por hora trabalhada. O resto dos portugueses paga caro por isto. Nos serviços mais essenciais como a saúde temos de ter mais turnos, mais médicos, mais custo… mais filas de espera, piores serviços! Não há esforço de médico ou enfermeiro que resista! Isto num sistema que já por si está a rebentar pelas costuras. Foi mais marketing corporativista, para amansar os aliados da geringonça.

Durante a Troika não crescemos. Havia uma condicionante externa desfavorável. Apesar disso, pouco se reformou a sério no Estado. Agora que temos uma conjugação impressionante de fatores a nosso favor… continuamos sem crescer!

Sim, crescemos mais em relação aos tempos da Troika, mas é mesmo esse o comparativo que nos interessa? O relevante é compararmo-nos em relação aos nossos países concorrentes no mesmo momento. Aqueles que nos ultrapassaram recentemente, aqueles que estão a ter mais sucesso, aqueles que nos estão a trincar os tornozelos e que nos ultrapassarão nos próximos 5 anos.

A verdade é que os países deviam ser governados pensando numa direção, sustentável no tempo. Uma direção que permita aos seus cidadãos mais autonomia, independência. O foco do país tem de ser o desenvolvimento sustentável dos seus cidadãos, não a miopia da próxima crise.

A Portugal, nos últimos 40 anos, mas pior nos últimos 18, falta-lhe direção estratégica, falta-lhe intenção nas políticas. Andamos a viver de sobrevivência política em sobrevivência política, governados por políticos fracos, que andam de eleição em eleição às nossas custas.

Temos de virar as costas a este ciclo de 4 anos, que a cada volta só nos torna mais dependentes dos favores dos boys, menos autónomos face ao Estado, menos soberanos face à União Europeia, mais fracos face aos nossos credores.

Temos de avançar numa direção de contas sustentáveis, focadas na redução da despesa corrente, na simplificação e estabilidade fiscal e na atração de investimento estrangeiro.

PS: Amanhã será a 2ª Convenção Nacional da Iniciativa Liberal. É com imensa alegria e orgulho que vejo este projeto começar a vingar. Deixarei de ser vice-presidente da Comissão Executiva para me tornar conselheiro nacional. A direção mantém-se, a intencionalidade intensifica-se!

Pedro Antunes
Empresário e Vice-Presidente da Iniciativa Liberal

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