visao.sapo.ptMiguel Araújo - 11 out 08:41

Ainda estamos aqui

Ainda estamos aqui

Quem diria que haveria de ser um programa de televisão a dar-me essa canção, que andava desde sempre recolhida em novelo dentro de mim, à espera que uma ponta de fio se soltasse

Peter Dazeley/ Getty Images

Eu raramente aceito fazer músicas por encomenda, com um propósito específico, a pretexto de seja o que for. Sei lá se vou conseguir, isso não é coisa que se prometa. Aceitei escrever cinco canções para o remake do filme A Canção de Lisboa e na data de entregá-las só tinha conseguido fazer três. Como é que eu posso prometer uma coisa que não existe? As músicas aparecem quando elas querem. Por isso nunca me comprometo. Não sou fiável, mais vale não ficarem a contar. Sempre que algum intérprete me pede alguma canção para um disco, eu digo sempre que vou tentar, que se à data do fecho do reportório eu não tiver aparecido com nada, então que sigam com a vida. Acontece muitas vezes. Noutras, lá aparecem as músicas. É sempre incerto e nunca, nunca depende da minha vontade. .

(Crónica publicada na VISÃO 1335, de 4 de outubro de 2018)

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