www.dinheirovivo.ptdinheirovivo.pt - 16 set 11:00

Inlu. Novas matérias-primas ao serviço do calçado

Inlu. Novas matérias-primas ao serviço do calçado

Marca de calçado quer diferenciar-se pela inovação. Ambiciona chegar ao Reino Unido e aos EUA. Para isso, lançou uma campanha de crowdfunding.

O bichinho já lá estava há algum tempo. Até que um dia, o encontro das pessoas certas, à hora certa e no local certo, como descreve Inês Lebre, fez nascer a Inlu, uma marca de calçado que aposta na criatividade para se diferenciar. Com um percurso profissional ligado à gestão e consultoria, Inês conhecia as ferramentas necess��rias e os desafios de lançar um novo negócio. Ainda assim, decidiu arregaçar as mangas e lançar-se à aventura. “Passava a vida a ajudar as outras empresas a melhorar e adorava ver os resultados práticos. Sempre fui um bocadinho elogiada – feedback profissional pela minha proatividade, capacidade de gerar resultados e gerir equipas – e comecei a cultivar aquele bichinho: porque não criar o meu próprio bebé desde o início?”, conta Inês Lebre, CEO e fundadora.

A Inlu não foi, contudo, a primeira experiência na área do empreendedorismo de Inês. Antes, teve uma plataforma de comércio eletrónico. Vivia, na altura, em Angola e criou esta ferramenta para comercializar produtos portugueses de luxo naquele país. No decurso desta experiência conheceu um empreendedor chinês que a incentivou a participar num evento em que startups europeias apresentavam os seus projetos a investidores chineses. Assim fez. Esteve duas semanas na China. Mas na bagagem não levava o projeto de comércio eletrónico, mas os primeiros traços desta marca que quer utilizar a transformação de materiais novos para criar sapatos contemporâneos.

“Antes de ir [para a China] comecei a perceber e ele [empreendedor chinês] deu-me esse feedback: se levasse este meu negócio de e-commerce ia ser para os investidores apenas como uma trading company. Convinha criar a minha própria marca. Antes de ir para a China conheci uma pessoa, a Ana Fatia, num encontro de empreendedorismo feminino. Começámos a falar do que é o luxo. Ela não concordava [comigo] e tive um feeling de que tinha de trabalhar com ela. Como já tinha percebido que tinha de criar uma marca nova, percebi que era a pessoa certa. Conheci a Ana no momento em que estava a querer criar uma marca. Criei no espaço de um mês a marca Inlu e levei-a à China.”

O feedback foi positivo. Inês Lebre explica que a marca quer diferenciar-se dos restantes fabricantes de calçado através da aposta na inovação e na criatividade. O primeiro material que se propõe a explorar é a cortiça, que não é muito usado na “área da moda”. Para isso, foi feita uma parceria com uma empresa da região norte que é “altamente especializada na exploração de cortiça”, tendo mesmo uma “parceria com arquitetos famosos” que dão uma nova vida ao material.

Pelo caminho, ainda assim, houve alguns obstáculos, tendo existido dificuldades em “encontrar parceiros que quisessem abraçar o projeto”. “Pouco depois de ter conhecido a Ana Fatia conheci a Inês Pinto de Almeida, uma pessoa que trabalhou vários anos em Inglaterra e em Itália. Quando se aliou a nós, a Inês pegou na coleção e reformulou as cores, os materiais. Começámos por explorar a matéria-prima da cortiça, mas daqui em diante, na próxima coleção, provavelmente já não o vamos fazer. Isto é uma coleção off season. A inovação em seguida vai passar pelos modelos, que vão ser mais arrojados. Vamos ter ténis e botas.”

A marca vai pautar-se pela produção deste calçado em Portugal. Mas quer vender sobretudo nos Estados Unidos e em Inglaterra. “Nos EUA, apesar de a cortiça ser valorizada, ainda não existe um produto que tenha este tipo de posicionamento.” Para conseguirem entrar neste mercado estão a apostar numa manobra diferente do tradicional: não vão a feiras do setor – pelo menos para já – mas lançam uma campanha de crowdfunding.

A campanha arrancou no Kickstarter no dia 12 de setembro. Estão a pedir 25 mil dólares para financiar a produção do calçado, embora ambicionem alcançar 150 mil dólares. “O crowdfunding é um canal de distribuição que permite chegar rapidamente a esses mercados, e o foco dessas plataformas é exatamente Inglaterra e Estados Unidos.” Esta será apenas a primeira campanha de crowdfunding, avança a fundadora da Inlu.

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