www.dinheirovivo.ptAlberto Castro - 16 set 08:27

Viagens na Nossa Terra

Viagens na Nossa Terra

"Não fora as falhas na linha do Norte, as coisas teriam tido esta urgência?", questiona-se Alberto Castro, economista e professor universitário.

Por mais que o governo se afadigue, agora, em demonstrar que é o campeão da ferrovia, é iniludível que os investimentos ora anunciados, mesmo se previstos, o são a reboque da pressão da opinião pública.

Foram precisas sucessivas reportagens sobre o défice do serviço em várias regiões e, mormente, sobre a degradação na linha Porto-Lisboa, para que algo sucedesse, embora os prazos de concretização sejam, ainda, uma miragem. Subsiste a dúvida: não fora as falhas na linha do Norte, as coisas teriam tido esta urgência? A litoralização do país terá falado mais alto.

Se nos distanciarmos da espuma dos dias, veremos que a ferrovia não é caso isolado. O governo tem sabido navegar a conjuntura com uma mestria admirável. Chegou, e sobrou, até aqui. Dará, decerto, para ganhar as eleições. Folgadamente. O seu sucesso advém, também, de essa maneira de estar e fazer ser a nossa. Se planear é pouco connosco, executar uma estratégia ainda menos. Vivemos o curto prazo, como se fosse o único. Depois – há depois? – logo se verá. Talvez por isso sejamos dos países que mais gastam nos jogos de azar, na expectativa que sejam da sorte……

E demoramos a aprender. Na economia e não só. Numa viagem pela região de Pedrógão constata-se que está tudo preparado para que, o que não ardeu, arda: a altura do mato e a densidade do arvoredo continuam a ser um barril de pólvora. As explicações são imensas. No fundo, somos mesmo nós que não nos governamos. Não é um problema de não nos deixarmos governar! Nós esperamos, mesmo, que nos governem. Para assacar responsabilidades aos outros.

Uma política estrutural para a floresta é coisa para mais de uma década, vários governos e, talvez, Presidentes da República. Aproveitando a sua popularidade, quiçá Marcelo pudesse retomar, com mais consequência, o que os seus antecessores tentaram, promovendo um amplo debate sobre a política florestal com o propósito de alcançar um pacto de regime abrangente. A popularidade é efémera. Na memória ficam os feitos. O país agradeceria.

Alberto Castro, Economista e professor universitário

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