expresso.sapo.ptexpresso.sapo.pt - 16 set 16:00

Dos contentores às casas de madeira

Dos contentores às casas de madeira

O Mercado do Design que junta criadores 100% portugueses, vai passar a realizar-se em Belém e mudar de imagem e apresentação

Não há muito tempo, em outubro de 2016, a Margarida e o Rui — que tinham acabado de regressar a Portugal depois de três anos no Brasil — decidiram criar a Musgo. Recuperaram uma antiga vacaria no Porto e ali montaram uma microempresa de design que faz candeeiros numa base de madeira que recolhem em casas antigas.

Esta é uma das participantes no The Pitch Market, o mercado de design de empresas 100% portuguesas que regressa a Lisboa desta quinta-feira, dia 20, até domingo, 23, desta vez numa nova localização e com uma nova imagem de marca. “Esta é a quarta edição do The Pitch Market pelo que entendemos que estava na altura de tornar o evento mais maduro e com uma imagem própria”, diz ao Expresso, o responsável pela organização deste evento, Tiago da Costa Miranda.

Assim, este ano, o mercado realiza-se em Belém, junto ao Padrão dos Descobrimentos, e os stands, em vez de serem os antigos contentores de navios como até agora, vão passar a ser pequenas casas de madeira, também elas construídas com materiais e empresas 100% portuguesas.

“Contrariamente ao que acontecia há quatro anos o Terreiro do Paço está, neste momento, saturado de eventos, pelo que foi nossa vontade mudar e voltar a ocupar um novo território ainda pouco explorado, mas igualmente um símbolo da cidade de Lisboa. Além disso, o formato dos contentores marítimos tinha bastantes limitações, que por andarem no mar, eram difíceis de ultrapassar, pelo que procurámos uma alternativa que se enquadrasse no nosso ADN ligado ao design e à arquitetura de interiores”, explica.

Nasceram então as Pitch Stores, as referidas casas de madeira que, por serem modulares, são desmontáveis e reutilizáveis nos anos seguintes. O desenho surge de uma colaboração entre uma equipa de arquitetos, entre eles Tiago Miranda, e ainda da Câmara Municipal de Lisboa, o parceiro principal deste evento. Já os materiais e a montagem das casas ficaram a a cargo de várias empresas, todas elas nacionais. É o caso da J. Pinto Leitão, uma empresa de madeira reciclada que é comprada na região oeste a um armazém de recuperação de paletes usadas; da Inovacril, especializada em policarbonatos e acrílicos e ainda da Pneugreen que faz pavimentos com pneus usados que são reciclados na Associação Valorpneu.

A cidade do design

Com stands que são casas de madeira, este mercado será — como a organização lhe chama — uma “verdadeira cidade do design”. É que, às 50 casas das marcas participantes é preciso juntar ainda as casas que vão acolher a exposição “Electro: Domésticos & Revolucionários, uma coleção privada de equipamentos para casa dos anos 60 e 70. “Esta é a primeira edição em que, comparativamente às três anteriores, temos os espaços do mercado absolutamente lotados, não cabe nem mais uma marca”, repara Tiago Miranda.

Para o responsável do mercado esta nova imagem de marca vai reforçar o papel que o The Pitch Market tem neste sub-sector da economia. “O nosso foco continua a ser a democratização do design português. Há quatro anos, quando surgimos, ninguém falava do design nacional, nem se viam marcas de casa e decoração em mercados urbanos. Recordo-me que algumas empresas com quem falámos no início até diziam que não faziam esse tipo de eventos. Mas hoje já é comum haver marcas destas em mercados urbanos, por isso, orgulhamo-nos de ter contribuído para esta mudança”, diz Tiago Miranda.

É também por isso que, acrescenta, haverá produtos com um intervalo de preços muito alargado — dos €5 aos €5000 — vindos de todos os pontos do país. Por exemplo, além da Musgo participam o Atelier de Burel da Covilhã, uma marca de têxtil para interiores; o designer Adolfo Mendonça que cria peças de cerâmica inspiradas no mar dos Açores, onde nasceu, ou as Aldeias Históricas de Portugal, “que tem uma linha de bonecas ligada às lendas da fundação de cada aldeia e traz as antigas bonecas de trapos para o mundo do design contemporâneo”. “Mas no The Pitch Market também há — e cada vez mais — marcas de maior dimensão como é o caso da quase centenária Ivo Cutelarias da Benedita ou a estreia da Clube Home, a nova aposta do Clubfashion para a casa e decoração”, conclui Tiago Miranda.

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