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O "maior cordão de beatas do mundo" para lembrar que as pontas de cigarro são lixo

O "maior cordão de beatas do mundo" para lembrar que as pontas de cigarro são lixo

Iniciativa procura sensibilizar os fumadores para o abandono do acto, muitas vezes, automático de atirar as beatas para o chão. Exposição no Seixal reúne cerca de 220 mil beatas, recolhidas durante dois anos.

As pontas de cigarro devem ser tratadas como lixo e não atiradas ao chão. É este o alerta da associação ambiental 10 Milhões na Berma da Estrada? que, em parceria com a Câmara do Seixal, organiza uma exposição que pretende ser o "maior cordão de beatas do mundo".

O objectivo da iniciativa é sensibilizar a opinião pública para que não se atirem beatas para o chão. Este acto "constitui um perigo tendo em conta que, neste momento, o microlixo no mar é a beata", disse à Lusa o presidente da Associação 10 Milhões na Berma da Estrada, Orlando Martins. Apesar do acto ser automático em muitos fumadores, há que ter em conta o seu "risco considerável para o ambiente". Por causa disso, a beata "tem de ser tratada como lixo", sublinha.

A exposição "(Re)canto do Tejo" foi apresentada na zona ribeirinha do Seixal, no distrito de Setúbal, e reúne cerca de 220 mil beatas, recolhidas durante dois anos na baía do Seixal e na Costa de Caparica, em Almada, por mais de 350 voluntários.

"Foram mais de 1.500 horas de voluntariado, envolveu mais de 350 pessoas, e procurámos com isto mostrar que no recanto do Tejo apanhámos 220 mil beatas, que estão num cordão de 1.500 metros e que constituem uma candidatura ao Guinness Book", avançou o responsável.

Segundo Orlando Martins, a exposição corresponde a "32 minutos de beatas que vão para o chão em Portugal".

A iniciativa alerta, assim, para os perigos de não se tratar as pontas de cigarro como lixo, o que ameaça os ecossistemas, polui os lençóis freáticos e coloca em risco a vida marítima.

"Para o chão não, a beata chega ao mar" é a mensagem que a associação pretende passar.

Orlando Martins sublinhou que a poluição nas praias não acontece apenas pelos fumadores que deitam as pontas de cigarro na areia.

"Muita gente pensa que a beata na praia resulta do fumador que deixa na areia. Não é verdade, porque aqui temos uma praia ribeirinha, em que o principal elemento que encontramos são beatas e não são fumadores que vão ali deixar, são beatas que estão à tona da água, na coluna de água e que são milhões e milhões que vão ter ao mar", explicou.

Adelina, activista de 84 anos

A iniciativa tem uma mascote, a Adele, uma gota de água com rastas constituídas por um cordão de beatas, o que pretende sensibilizar para o arrastamento das pontas de cigarro para o mar.

O nome Adele vem de Adelina, antiga professora de 84 anos e um dos membros activos do movimento. Orlando Martins olha para esta homenagem como uma forma de "mostrar que em qualquer idade há pessoas que estão disponíveis e são verdadeiras activistas ambientais".

Adelina, contou à Lusa, faz reciclagem há 40 anos e participa neste tipo de eventos sempre que pode.

"Ao princípio as pessoas não sabiam o mal que a beata fazia. Quando chove vai nas águas da chuva, vai ter ao mar e já está a prejudicar bastante os peixes. Isso faz com que a pessoa tenha de pensar no que pode fazer para evitar. Às vezes as pessoas dizem 'eu faço, mas os outros não fazem'. Alguém tem que começar e continuar", frisou.

A iniciativa insere-se nas comemorações da Semana Europeia da Mobilidade, promovida pela Câmara Municipal do Seixal, que decorre desde este domingo até 22 de Setembro.

"A Semana Europeia da Mobilidade é toda ela dirigida à utilização de práticas suaves, tem tudo a ver com saúde e esta iniciativa enquadra-se perfeitamente nisso, na qualidade de vida, no melhor ambiente. Este apelo para que as pessoas não deitem as beatas no chão é porque depois são transportadas através das águas da chuva para o rio e para o mar, e demoram muito tempo a deteriorar-se", sublinhou o vereador do Ambiente da Câmara Municipal do Seixal, Joaquim Tavares.

O evento é candidato ao Guinness World Book of Records, o que, segundo o autarca, tem o objectivo de sensibilizar um maior número de pessoas: "Até parece que não tem muito sentido termos um galardão de que temos mais beatas, mas tem porque é a forma de projectar a mensagem para que as pessoas vejam o impacto daquilo que é provocado com um pequeno gesto".

Nos próximos dias as entidades promotoras da exposição saberão se conseguiram atingir o objectivo de ser o "maior cordão de beatas do mundo".

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