observador.ptobservador.pt - 16 set 15:49

“Maior cordão de beatas” lembra que pontas de cigarro devem ser tratadas como lixo

“Maior cordão de beatas” lembra que pontas de cigarro devem ser tratadas como lixo

Uma associação ambiental, em parceria com a Câmara do Seixal, expôs o "maior cordão de beatas do mundo". São cerca cerca de 220 mil beatas, recolhidas durante dois anos na baía do Seixal e na Costa.

As pontas de cigarro devem ser tratadas como lixo e não atiradas ao chão, alertou este domingo uma associação ambiental, em parceria com a Câmara do Seixal, através de uma exposição que pretende ser o “maior cordão de beatas do mundo”.

“O objetivo desta iniciativa é sensibilizar a opinião pública para a beata lançada pelo fumador para a estrada ou para zonas de passeio, o que constitui um perigo tendo em conta que, neste momento, o microlixo no mar é a beata. A beata socialmente continua a ser um ato automático do fumador, mas não pode continuar a ser algo que se lança para o chão, porque constitui um risco considerável para o ambiente. Tem de ser tratada como lixo”, disse à Lusa o presidente da Associação 10 Milhões na Berma da Estrada, Orlando Martins.

A exposição “(Re)canto do Tejo” foi apresentada na zona ribeirinha do Seixal, no distrito de Setúbal, e reúne cerca de 220 mil beatas, recolhidas durante dois anos na baía do Seixal e na Costa de Caparica, em Almada, por mais de 350 voluntários.

“Foram mais de 1.500 horas de voluntariado, envolveu mais de 350 pessoas, e procurámos com isto mostrar que no recanto do Tejo apanhámos 220 mil beatas, que estão num cordão de 1.500 metros e que constituem uma candidatura ao Guinness Book”, avançou o responsável.

Segundo Orlando Martins, a exposição corresponde a “32 minutos de beatas que vão para o chão em Portugal”.

A iniciativa alerta, assim, para os perigos de não se tratar as pontas de cigarro como lixo, o que ameaça os ecossistemas, polui os lençóis freáticos e coloca em risco a vida marítima.

“Para o chão não, a beata chega ao mar” é a mensagem que a associação pretende passar.

Orlando Martins sublinhou que a poluição nas praias não acontece apenas pelos fumadores que deitam as pontas de cigarro na areia.

“Muita gente pensa que a beata na praia resulta do fumador que deixa na areia. Não é verdade, porque aqui temos uma praia ribeirinha, em que o principal elemento que encontramos são beatas e não são fumadores que vão ali deixar, são beatas que estão à tona da água, na coluna de água e que são milhões e milhões que vão ter ao mar”, explicou.

A iniciativa tem uma mascote, a Adele, uma gota de água com rastas constituídas por um cordão de beatas, o que pretende sensibilizar para o arrastamento das pontas de cigarro para o mar.

“A Adele é diminutivo de Adelina. Nós temos no nosso movimento uma senhora muito inspiradora que se chama Adelina. A senhora tem 84 anos e quisemos homenageá-la com a Adele, para mostrar que em qualquer idade há pessoas que estão disponíveis e são verdadeiras ativistas ambientais”, indicou.

A agência Lusa teve oportunidade de falar com Adelina, ex-professora, que contou que já faz reciclagem há 40 anos e que participa neste tipo de eventos sempre que pode.

“Ao princípio as pessoas não sabiam o mal que a beata fazia. Quando chove vai nas águas da chuva, vai ter ao mar e já está a prejudicar bastante os peixes. Isso faz com que a pessoa tenha de pensar no que pode fazer para evitar. Às vezes as pessoas dizem ‘eu faço, mas os outros não fazem’. Alguém tem que começar e continuar”, frisou.

A iniciativa insere-se nas comemorações da Semana Europeia da Mobilidade, promovida pela Câmara Municipal do Seixal, que começa hoje e decorre até 22 de setembro.

“A Semana Europeia da Mobilidade é toda ela dirigida à utilização de práticas suaves, tem tudo a ver com saúde e esta iniciativa enquadra-se perfeitamente nisso, na qualidade de vida, no melhor ambiente. Este apelo para que as pessoas não deitem as beatas no chão é porque depois são transportadas através das águas da chuva para o rio e para o mar, e demoram muito tempo a deteriorar-se”, sublinhou o vereador do Ambiente da Câmara Municipal do Seixal, Joaquim Tavares.

O evento é candidato ao Guinness World Book of Records, o que, segundo o autarca, tem o objetivo de sensibilizar um maior número de pessoas: “Até parece que não tem muito sentido termos um galardão de que temos mais beatas, mas tem porque é a forma de projetar a mensagem para que as pessoas vejam o impacto daquilo que é provocado com um pequeno gesto”.

Nos próximos dias as entidades promotoras da exposição saberão se conseguiram atingir o objetivo de ser o “maior cordão de beatas do mundo”.

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