expresso.sapo.ptexpresso.sapo.pt - 16 set 12:00

Amorim: Fusão à vista nos negócios da cortiça

Amorim: Fusão à vista nos negócios da cortiça

O negócio das rolhas prospera. Mas, as unidades de revestimentos, aglomerados compósitos e isolamentos sofrem com a redução de vendas e a subida do preço da cortiça e precisam de ajustar a atividade à nova realidade

A rentabilidade imbatível da rolha ameaça canibalizar os restantes negócios fabris da Corticeira Amorim (CA). As margens em declínio, pela subida do preço da matéria-prima e a redução das vendas, pressionam a reorganização das unidades de revestimentos, aglomerados compósitos e isolamentos que terão de ajustar a capacidade à nova realidade, adotar medidas para reduzir custos e potenciar as sinergias internas.

No limite, a reorganização, segundo quadros do conglomerado, poderá conduzir a uma fusão entre as três operações, simplificando estruturas e preservando a autonomia de cada área. Segundo a empresa, “o modelo de organização adotado há mais de 10 anos é para manter”. Cada área conta com uma comissão executiva que reporta ao conselho de administração da holding. E não há planos para reajustar as operações. No conjunto, as três linhas de negócio contam com cinco bases fabris e faturaram (2017) €230 milhões. No primeiro semestre, o seu peso na faturação reduziu-se para 28% e o contributo para o resultado operacional foi apenas de 9%.

Na década passada, a ofensiva em grande escala dos vedantes alternativos, levou a CA a aprofundar a diversificação do portefólio — o reforço dos novos negócios neutralizava uma eventual retração do mercado do vinho e promovia uma imagem de modernidade da cortiça como uma solução ecológica com um largo espectro de aplicações. A realidade encarregou-se de confirmar que a morte da rolha fora manifestamente exagerada. A cortiça tem até conquistado quota aos seus concorrentes: os vedantes de plástico estão em perda e as cápsulas de alumínio (4,5 mil milhões por ano), não ameaçam a liderança folgada (12 mil milhões). A cortiça é um recurso escasso e limitado. A indústria venceu a batalha da qualidade e não pode agora ceder no desafio da quantidade.

Com a expansão do negócio do vinho a impulsionar o preço da cortiça (30% no último ano), a CA move-se a duas velocidades. O grupo centra-se no negócio mais lucrativo, negligenciando as restantes operações. Entre a “rentabilidade e o reforço da diversificação é a racionalidade do lucro que impera”, assinala uma fonte do sector.

Os números são elucidativos. No primeiro semestre, as unidades de revestimentos (-8%) e compósitos (-1,5%) perderam receitas, contrastando com a prosperidade do negócio rolheiro (+18%), que subiu em todas as geografias e segmentos (vinho, espumantes e espirituosos). A tendência já se registara em 2017, com o sector de isolamentos (-7,5%) e compósitos (-1,3%), a definharem nas vendas.

Mas é na margem operacional que a disparidade é gritante. Nas rolhas, a margem é de 19% das vendas, um valor que compara com 15% de 2015. Nas restantes unidades, a média é de apenas um terço, arrastada pelo fraco desempenho dos revestimentos (2,2% no 1º semestre, face a 11% em 2016 e 6,7% em 2017). No primeiro semestre, o desempenho desta unidade foi penalizado “pela pressão dos preços da principal matéria-prima, o registo de imparidades de clientes e medidas de reestruturação”. Este será um “ano de transição” e o lançamento “de novos produtos e novas propostas de valor até ao fim de 2018 “potenciará o regresso ao crescimento e a melhoria da rentabilidade”, diz a CA no relatório semestral.

A CA gosta de acentuar “o carácter inovador e tecnológico” da unidade de compósitos, que leva a marca Amorim a voar pelo espaço, nos satélites da NASA ou foguetões de Elon Musk. É a que fornece uma maior gama de indústria e conta com maior número de aplicações. A diversidade é uma vantagem e promove um “mix de produtos mais favorável”. Mas isso não tem impedido a redução do resultado operacional: €5,4 milhões no 1º semestre face aos €8,3 milhões de 2017. Nos aglomerados de isolamento acústico e térmico, a margem tem resistido melhor (13% no 1º semestre). Mas em valor a produção das bases de Silves e Vendas Novas é pouco relevante, situando-se nos €10 milhões anuais.

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