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Experiências. A ficção já é mesmo real no novo mundo da mobilidade

Experiências. A ficção já é mesmo real no novo mundo da mobilidade

Experimentar a mobilidade do futuro levou muitos entusiastas a Belém

Qual Michael Knight, qual Kit? Séries como O Justiceiro são algo que nos dias que correm parecem estar completamente ultrapassadas. Esta é a conclusão que se tira depois de vivenciar o espaço de ativação da Lisbon Mobi Summit (LMS) que está a decorrer até hoje na Praça do Carvão, da Central Tejo, em Belém.

Aqui, onde uma das principais atrações é um carro de Fórmula E, da equipa Techeetah – agora patrocinada pela Efacec -, há todo um mundo onde qualquer semelhança com a ficção é pura realidade. Desde este carro de corrida elétrico – em tudo igual a um Fórmula 1 mas movido a energia elétrica – a veículos que dispensam condutor, ou que são comandados à distância, passando pelo convite à condução partilhada ou pelos jogos de realidade virtual mas que pode ser posta em prática, há de tudo um pouco.

O automóvel de Fórmula E foi o centro das atenções, com muitos nacionais e estrangeiros a quer tirar selfies. “Não me importava de andar nele, deve dar muita adrenalina. É elétrico e a potência permite-lhe alcançar velocidades elevadas como se fosse a gasolina.” Nuno Ferreira, de 42 anos, caiu de paraquedas no evento, mas valeu a pena para ver e fotografar o bólide.

Também o veículo autónomo da Transdev, absoluta novidade em Portugal – que carece ainda de legislação que aprove a sua utilização genérica – levou alguns curiosos a fazer curtas viagens no circuito junto ao cais de Belém.

E foi para entrar neste novo mundo que o casal Ana e André Rodrigues pegou nos seus sete filhos e lhes foi dar uma lição para os preparar para o mundo deles. Chegados ao recinto, cada um foi para a atividade que mais interesse lhe despertou. A verdade é que, exceto a bebé que ficou no carrinho dela vigiada pela mãe, todos os outros manos puseram um pé no futuro que é afinal já uma realidade.
A maioria concentrou-se na pista da EDP. Aqui, o mais novo sentou-se no carro que foi comandado à distância pelo irmão mais velho. A ideia é, como explicou Gonçalo Castelo Branco, da EDP Comercial, mostrar às crianças aquela que vai ser a sua realidade. “Aqui está a ideia de mobilidade do futuro, focada em 2040, quando estes miúdos serão adultos.” Nesta altura, diz este responsável, “mais de metade dos veículos vendidos serão elétricos e, se em 2017 se venderam um milhão destes automóveis, em 2040 prevê-se que sejam comercializados mais de 60 milhões”.
Estes e outros dados só podem levar Ana Rodrigues a dizer que de facto “o Regresso ao Futuro já é presente e Michael Knight e os Kit não se iam sentir desenquadrados aqui”. Franco Caruso, diretor de comunicação da Brisa (detentora da Via Verde), vai mais longe: “O Kit tinha de ser chamado. Aqui é tudo mais avançado, até há carros autónomos.” Por isso é que este responsável considera que, além dos debates durante os dias, é importante esta área de ativação. “Aqui, pessoas e as empresas ficam em diálogo sobre o que se está a fazer em termos de mobilidade”, justifica. Para trazer as famílias ao evento, a Brisa trouxe uma réplica do circuito de segurança rodoviária que foi implementado há mais de dez anos nas escolas básicas de todo o país. Foi aqui que encontrámos o Pedro, de 8 anos, a fazer manobras como gente grande. Acompanhado pelo pai, este rapaz diz ao JN que tem preferência pelos veículos elétricos porque “são mais amigos do ambiente do que os a gasóleo e a gasolina e porque fazem menos barulho”.

Orgulhoso pelo Pedro já conseguir identificar os carros elétricos na estrada, o pai Carlos Tavares vê com bons olhos a chegada desta nova realidade, mas dúvida da rapidez na transação. “A mudança é inevitável, mas não será muito rápida devido aos custos elevados. Para mim, enquanto consumidor, a prioridade é a componente económica e não a ambiental. E como talvez a maioria das pessoas.”

Paula Ferreira, uma engenheira eletrotécnica de 58 anos, é da mesma opinião, mas confessa que gostava de ter um carro elétrico. Por isso, ela e o marido não quiseram perder a oportunidade de experimentar um.

“A sensação é estranha. O carro normal tem toda aquela dinâmica de pedais e mudanças. Nestes só há o acelerador. É uma não condução à qual se chega com o hábito”, manifesta ao JN esta interessada em matérias como a sustentabilidade e as energias renováveis.

O carro usado por Paula Ferreira estava no stand da Europcar, onde Tiago Vilar, o responsável pela parte da ativação desta empresa, não teve dúvidas em afirmar que os test drives aqui promovidos são a prova de que “os Michael Knight e os Kit desta vida estão completamente ultrapassados.”

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