www.dinheirovivo.ptdinheirovivo.pt - 16 set 11:00

S&P: subida da despesa não põe em risco meta do défice

S&P: subida da despesa não põe em risco meta do défice

A agência de notação financeira manteve o rating, mas admite subi-lo se o endividamento da economia continuar a baixar.

A Standard & Poor’s (S&P) reviu em alta a perspetiva (outlook) para Portugal de “estável” para “positiva”, abrindo caminho a um rating mais favorável para a dívida soberana. Para os analistas da S&P, a economia portuguesa continua a dar sinais de dinamismo, esperando um crescimento perto de 2% ao ano até 2021, com o défice orçamental a atingir os 0,4% do PIB em 2020 (o Governo prevê um excedente de 0,7%).

Na nota divulgada esta sexta-feira, a agência de notação deixa, contudo, algumas considerações sobre futuras decisões. “Poderemos subir o rating de Portugal se a economia continuar a desalavancar externamente ao atual ritmo de 3% a 5% do PIB ao ano”, acrescentado que para melhorar a notação será necessário que “as condições de crédito em Portugal convirjam para a média da zona euro.” A S&P avisa que vai “continuar a monitorizar os custos de financiamento e os ainda elevados níveis de crédito malparado (NPL, na sigla inglesa) do sistema bancário.”

Mas também pode reverter esta subida do outlook. “Poderemos rever a perspetiva para “estável” se verificarmos um abrandamento assinalável do crescimento económico ou falhas no progresso de implementação de reformas estruturais amigas do crescimento”, avisam os analistas da agência norte-americana. A S&P acrescenta ainda que uma reversão do outlook pode acontecer caso a “posição orçamental se deteriore, contrariando as nossas expectativas, ou se o atual ajustamento externo sofra uma reversão.”

Aumentos na Função Pública não comprometem metas

Os analistas da S&P acreditam que as metas traçadas pelo Governo para o défice não vão ficar em causa com as políticas que influenciam a despesa e a receita. “As medidas de redução do défice foram impulsionadas pela expansão económica, a redução dos custos com os juros e os cortes no investimento público. Esses fatores compensaram os aumentos na despesa corrente relacionados, por exemplo, com a massa salarial e as transferências sociais. Projetamos que o défice diminuirá ainda mais para 0,7% em 2018, apesar dos aumentos previstos na despesa”, dando o exemplo do descongelamento das progressões nas carreiras de algumas medidas que vão reduzir a receita de IRS.

Por outro lado, a agência de notação financeira “antecipa poupanças através do controlo dos gastos dos ministérios e a revisão da despesa na saúde, na educação ou nas empresas públicas”, lembrando que a despesa global em 2017 terá atingido 47% do PIB – um dos valores mais elevados mesmo quando comparado com os países mais ricos da Zona Euro.

Salário mínimo não diminuiu competitividade

A Standard & Poor’s volta a enfatizar que os sucessivos aumentos do salário mínimo nacional não comprometeram a competitividade externa da economia portuguesa. “Na nossa opinião, é pouco provável que os consecutivos aumentos do salário mínimo nacional, mais recentemente em cerca de 4% em janeiro de 2018, enfraqueçam a competitividade através do preço dos bens e serviços. Com uma estimativa de 14,10 euros em 2017, os custos de mão-de-obra horária de Portugal estavam 47% abaixo da média da Zona do Euro. Consideramos que o envelhecimento da população de Portugal coloca maiores desafios às suas perspetivas económicas a longo prazo.”

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