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Portugueses vão pagar para carregar carro elétrico em novembro

Portugueses vão pagar para carregar carro elétrico em novembro

Governo quer um carregador rápido por cada 80 veículos e 1 carregador normal por cada 15 automóveis sem emissões.

Os donos de carros elétricos vão começar a pagar pelos carregamentos a partir de 1 de novembro. Após duas tentativas, os operadores destes postos vão começar a receber pela sua utilização, anunciou na sexta-feira o secretário de Estado Adjunto e do Ambiente, José Mendes, durante a Lisbon Mobi Summit. Para já, apenas será cobrada a utilização dos pontos de carregamento rápido – que garantem 80% das baterias em meia hora; o pagamento nos restantes pontos de carga deverá iniciar-se ao longo do próximo ano.

“Vamos arrancar com os pagamentos dos carros elétricos na rede a partir de 1 de novembro. Teremos em meados de outubro um acordo com os operadores de pontos de carregamento”, anunciou José Mendes. O mesmo governante recordou que até agora só os operadores de postos de carregamento têm pago a energia consumida; este serviço “tem sido gratuito para o consumidor”.

Os operadores de postos de carregamento têm reportado prejuízos devido ao duplo atraso no início da cobrança do carregamento – deveria ter iniciado a 1 de julho e 1 de outubro deste ano. EDP e Prio são duas dessas operadoras, que irão apresentar nas próximas semanas os preços que serão cobrados aos consumidores.

“A EDP espera que o mercado nacional seja capaz de seguir as tendências internacionais, dando oportunidade aos operadores para desenvolverem a sua oferta e, assim, darem resposta a uma necessidade crescente dos consumidores.”, refere fonte oficial da elétrica liderada por António Mexia ao Dinheiro Vivo.

A Prio espera que “a partir de agora haja condições para que os operadores tenham um mercado e, assim, possam decidir que tipo de estratégia e investimentos deverão fazer daqui para a frente”.

No entanto, a “fatia de leão” diz respeito ao valor pago pela Mobi.E (ou seja pelo Estado) face aos restantes 400 postos de carregamento normal: uma fatura mensal que neste momento ascende já ultrapassa os 29 mil euros por mês, e que “tem vindo a aumentar porque o número de veículos elétricos a circular é cada vez maior”, referiu Alexandre Videira, presidente da Mobi.E.

Ultrapassado o primeiro semestre do ano, fonte próxima da Mobi.E tinha já revelado que os carregamentos rápidos iriam começar a ser pagos pelos proprietários dos carros elétricos ainda durante o terceiro trimestre (até outubro), enquanto os carregamentos normais só deverão ficar a cargo dos consumidores “no início de 2019”. O governo adia agora mais um mês, para 1 de novembro, o primeiro objetivo, ou seja, o pagamento nos postos de carregamento rápido, que já vem sendo reclamado por várias empresas que atuam no setor da mobilidade elétrica.

Quanto às razões para os sucessivos atrasos na cobrança dos carregamentos elétricos, a Mobi.e tem vindo a justificar que “há trabalhos ainda serem feitos” e só quando todos os intervenientes se sentirem prontos, se avançará para a fase de mercado, já que a empresa tem todo o “interesse em que a mobilidade elétrica funcione da melhor forma”.

Além disso, está também a decorrer um projeto de atualização tecnológica em 304 postos da rede de carregamentos, a cargo da Efacec (por 570 mil euros), que deverá ficar concluído também até outubro.
Esta semana, fonte do Ministério do Ambiente, citada pelo Jornal de Negócios, reafirmou que continuam a ser desenvolvidos os trabalhos necessários para que o início dos pagamentos seja “assim que possível”.

A mesma fonte revelou ainda que a rede Mobi.E vai ter mais 302 postos de carregamento até março de 2019.

O início da cobrança pelos carregamentos não servirá apenas à medida dos operadores; também será necessário para cumprir as metas do Governo para a rede de carregamento dos automóveis sem emissões: “queremos ter um carregador rápido por cada 80 veículos e um carregador normal por cada 15 veículos” nos próximos “3 ou 4 anos”.

A Prio garante que “havendo condições para isso”, compete-lhe “investir mais para servir cada vez melhor os clientes deste mercado”. A EDP recorda que está “empenhada em expandir a sua oferta”.

O executivo pretende que exista uma “rede de carregamento que esteja presente em qualquer área de serviço e que possa funcionar com diferentes operadores”.

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