expresso.sapo.ptexpresso.sapo.pt - 15 set 21:03

Livro publicado na Amazon é candidato a prémio literário francês. Livreiros protestam

Livro publicado na Amazon é candidato a prémio literário francês. Livreiros protestam

O autor, Marco Koskas, diz que se limitou a não aceitar que o livro ficasse na gaveta depois de todas as editoras o recusarem

Um sindicato que representa os livreiros franceses protestou com a inclusão na lista de candidatos aos prestigiado prémio Renaudot de um livro que tem a peculiaridade de ser publicado pelo próprio autor e distribuído através da internet – mais precisamente da Amazon, o site que é considerado o grande inimigo das livrarias.

O livro em causa chama-se “Bande de Français” e conta a história de franceses que emigraram para Israel. O seu autor, Marco Koskas, é ele próprio franco-israelita. Na sua opinião, o facto de todas as editoras que contactou terem recusado publicar o livro – depois de ter publicado outros 12 pelas vias convencionais – poderá ter a ver com o crescente sentimento anti-israelita no país.

Perante as recusas, Koskas diz que recusou simplesmente deixar o livro na gaveta e acusa os livreiros (que já disseram não terem intenções de encomendar o livro para os seus clientes) de falta de fair-play e de chantagem. "Sei que os livreiros não podem ir contra todas as editoras que me rejeitaram –elas são demasiadas. Mas estão a virar-se contra a Amazon, que me publicou. Não faz sentido".

"A Amazon oferece aos autores um contrato muito mais flexível do que os editores e, acima de tudo, não tem uma opinião literária", acrescentou. "Isso é importante. Não se metem no que eu escrevo. Não pedem dinheiro para imprimir o meu livro, e são pagos, como qualquer casamenteira, quando o produto vende. De que é que me posso queixar?", argumenta.

O sindicato dos livreiros, por sua vez, critica a Amazon por fugir aos impostos e matar a concorrência, explicando que os seus representados só querem evitar "meter-se na boca do lobo". A França tem uma lei estrita de preço fixo que também se aplica a retalhistas online como a Amazon, mas isso não impede este gigante norte-americano de ter também nos EUA um efeito dramático no mercado.

Luís M. Faria

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