www.cmjornal.ptCarlos Moedas - 14 set 01:30

O estado da União Europeia

O estado da União Europeia

Ao contrário do que muitos esperavam, não foi um discurso de despedida. Foi um discurso virado para o presente e o futuro. - Opinião, Correio da Manhã.
Ao contrário da ideia que às vezes passa, a Comissão Europeia é uma das instituições políticas com maior escrutínio democrático. Primeiro, o seu presidente, Jean--Claude Juncker, foi eleito entre os seus pares do Partido Popular Europeu, apresentando-se como candidato nas eleições ao Parlamento Europeu. Segundo, essa força política foi a mais votada pelos cidadãos europeus.

Terceiro, 26 dos 28 líderes democraticamente eleitos indicaram o seu nome para a presidência da Comissão. Acresce que todos os membros da sua equipa de comissários foram nomeados pelos seus respetivos primeiros-ministros e depois, após uma rigorosa audição pelo Parlamento Europeu, aprovados por esta assembleia. Essas audições não são meros formalismos: no dia a seguir à minha audição, a antiga primeira-ministra da Eslovénia foi chumbada pelos parlamentares.

Vem isto a propósito de mais um momento solene da vida democrática europeia. Na quarta-feira, Jean-Claude Juncker proferiu o discurso anual sobre o Estado da UE e apresentou as nossas propostas para este ano político.

Ao contrário do que muitos esperavam, não foi um discurso de despedida. Foi um discurso virado para o presente e para o futuro. Foi ao concreto do trabalho presente e deixou a sua visão para o papel da Europa no mundo.

No concreto, se queremos mais segurança para os europeus temos de avançar com um centro europeu para a cibersegurança, que hoje é um problema que nenhum estado conseguirá resolver por si, o Procurador Europeu tem de ser competente no combate ao terrorismo e temos de ser capazes de eliminar conteúdo terrorista em menos de uma hora da sua publicação.

Se queremos proteger as nossas fronteiras temos de reforçar a Agência Europeia de Guarda de Fronteiras e Costeira e propomos chegar aos 10 000 agentes até 2020 para ajudar os mais de 100 000 guardas nacionais.

Mas sobretudo apresentamos uma visão para o liderança da Europa que passa pelo nosso papel em África Queremos passar de uma lógica assistencialista para uma lógica de parceria, que beneficie tanto europeus como africanos. Propomos uma aliança para o emprego e o investimento sustentável em África, com vista a um acordo de livre comércio e reforço do intercâmbio de estudantes e investigadores. São boas notícias para Portugal, que dado os seus laços ao continente pode aqui ter um papel de liderança a nível europeu.

Até ao final deste mandato, temos pela frente 14 meses de intenso e estimulante trabalho. Vamos continuar com o mesmo ânimo e determinação até ao último dia.

Bastidores
O igual direito a ser diferente
Em janeiro de 2015 tive o gosto de conhecer Shimon Peres em Davos numa sessão em que falava para jovens e dizia: "A democracia não é direito a ser igual mas o igual direito a ser diferente." Nunca esqueci esta frase extraordinária, especialmente no momento em que vivemos, em que muitos nos querem convencer do contrário. Os resultados das eleições na Suécia são um bom exemplo: um país que se caracteriza pela sua tolerância e história democrática tem hoje um partido de origens neo-nazis que passa de 6% dos votos em 2010  para 18% nestas eleições.

A situação é grave e não é exclusiva da Suécia. Nem exclusiva da direita. Na semana passada, uma deputada do partido alemão de extrema-esquerda Die Linke lançou o movimento Aufstehen (De Pé) que nos vender o medo do outro e não acredita no direito a ser diferente, ou pelo menos de vir de um país diferente. Um estudo recente da Universidade de Oxford demonstra que se o Reino Unido tivesse deixado de receber imigrantes a partir dos anos 90 teria perdido 175 mil milhões de libras em riqueza produzida nos últimos 15 anos. E se a Alemanha tivesse feito o mesmo teria perdido 155 mil milhões de libras. Este seria o verdadeiro efeito negativo de travar a imigração. Devemos dizê-lo e repeti-lo.

Fundação Champalimaud
Parabéns a Leonor Beleza e toda a equipa da fundação por atribuir o seu prémio anual a uma terapia genética contra a cegueira infantil hereditária. A fundação vai ainda criar um centro de investigação na área do cancro do pâncreas, no seguimento de uma doação de 50 milhões de euros.

Bolsonaro: Facada na democracia
É sempre alarmante quando a violência entra na vida política. Esperamos todos que tenha sido o último episódio de violência numa campanha eleitoral quente. O mundo e, em particular, os portugueses desejam que estas eleições marquem um regresso à normalização da vida política do grande país que é o Brasil. 

4,7
...milhões de euros é a ajuda que a Comissão Europeia acaba de dar a 730 trabalhadores despedidos no setor do vestuário em Portugal das empresas Gramax e Ricon. Este apoio abrange ainda outros tantos jovens deste setor que não trabalham, não estudam e não seguem qualquer formação.

Uma Europa que promove...
...a participação nas eleições europeias de 2019, com uma campanha de sensibilização em Carcavelos com a SURFaddict - Associação Portuguesa de Surf Adaptado. Foi lançado o site www.destavezeuvoto.eu, que cria redes de multiplicadores de informação sobre as europeias.
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