observador.ptobservador.pt - 14 set 11:45

Patrícia Mamona revela ter sido vítima de racismo à porta de discoteca em Lisboa

Patrícia Mamona revela ter sido vítima de racismo à porta de discoteca em Lisboa

A atleta olímpica Patrícia Mamona revelou nas redes sociais ter sido vítima de racismo à porta de uma discoteca em Lisboa. "Triste mas acontece", escreveu a atleta do Sporting.

A atleta Patrícia Mamona, que em 2016 se sagrou campeã europeia do triplo salto, denunciou esta sexta-feira que foi vítima de racismo à entrada de um estabelecimento de diversão noturna em Lisboa. Através de uma publicação no Instagram, a atleta de 29 anos contou que foi impedida de entrar no espaço por alegadamente “não se enquadrar no perfil” da discoteca.

“Quando vês pessoal a entrar de chinelos e sem convite mas te tratam de maneira diferente porque tu e os teus black friends bem vestidos e tal não se enquadram no perfil do LUX. Triste mas acontece!”, escreveu Patrícia Mamona, em conjunto com uma fotografia da entrada do Lux Frágil.

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???????????????????????????????? Quando vês pessoal a entrar de chinelos e sem convite mas (ya vou ser simpática) te tratam de maneira diferente pk tu e os teus black friends bem vestidos e tal não se enquadram ao perfil da LUX (edited) triste mas acontece! Enfim….bye ???? NEXTTT #nãotavaaespera #extremelysad #disrespect #racialprofile #luxfragil #notgoodenergy #byefelicia

A post shared by PATRÍCIA MAMONA (@patriciamamona) on Sep 13, 2018 at 6:08pm PDT

Nos comentários na publicação, a atleta foi confrontada por várias pessoas que contaram ter tido experiências semelhantes e defenderam não se tratar de racismo mas sim de “seleção ao acaso” — ou seja, a alguns grupos é permitida a entrada e a outros não, sem qualquer motivo especial para isso. Em resposta, Patrícia Mamona explicou que os seguranças justificaram que o grupo não podia entrar porque tinham um “feeling e revelou que, mais tarde, voltou a ser abordada pelos mesmos seguranças quando estes a reconheceram.

“Eu sou a primeira pessoa a dizer que há muito pessoal que tem a mania de usar a carta do racismo para tudo o que acontece de mal…mas quando começas a ver o pessoal a entrar…ui! Não pode…ainda se estivéssemos mal vestidos…até percebia. Mas nem foi o caso…aliás, o que me foi dito é que foi um feeling, disseram-me isto, foi um feeling…não nos estavam a sentir”, acrescentou a atleta do Sporting.

Contactado pelo Observador, o Lux Frágil garantiu que vai averiguar a situação e adiantou que não foi feita qualquer reclamação pelo grupo em questão.

Este caso recorda um outro — também com um atleta do triplo salto como protagonista. Em 2014, Nélson Évora recorreu também às redes sociais para denunciar que tinha sido vítima de racismo à entrada da discoteca Urban Beach, em Lisboa. “Éramos um grupo grande, 16 pessoas e com mesas pré-reservadas. Quando chegámos à porta negaram-nos o acesso. Disseram-nos que estavam demasiados pretos no grupo”, escreveu na altura o atleta olímpico.

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