tribunaexpresso.pttribunaexpresso.pt - 12 ago 22:48

Diogo Faro acredita que Nelson Évora poderia fazer sozinho os lugares de Jefferson e Acuña e só com triplo-saltos seria comido menos vezes

Diogo Faro acredita que Nelson Évora poderia fazer sozinho os lugares de Jefferson e Acuña e só com triplo-saltos seria comido menos vezes

O nosso cronista diz entender que este dia 12 de agosto, dia de Moreirense-Sporting mas também de tarde de sol, em que cheira a churrasquinho, cheira a picanha e chuléton, e o calor pede pisco sour e chopinho, não é bem dia em que apeteça jogar à bola. Mas quando assim for, pede que os homens da ala esquerda do Sporting avisem José Peseiro para que este chame o agora campeão da Europa de triplo-salto, que é menino para fazer melhor
SALIN

Não vos minto, deixou-me preocupado quando, no lance do golo do Moreirense, fiquei com a ideia de que tinha a agilidade da minha avó nas aulas de hidroginástica. Felizmente estava enganado e na segunda parte ainda teve lá um par de defesas que nos salvaram de começar a época com um desaire quase tão grande como aquela sessão fotográfica do António Costa a “acompanhar os incêndios”.

RISTOVSKI

Apresentou-se com o seu estilo habitual. Aquele cabelo loiro cortado à escovinha, e aquela barba que lhe contorna a cara da mesma forma que o jogador do Moreirense o contornou para fazer o primeiro golo, são tão soviéticos que aposto que são cortados com uma foice. (Eu sei que ele é macedónio, calma, mas vocês percebem a imagem). Depois do golo, lembrou-se que a época já tinha começado. Coates esticou um passe, ele desmarcou-se que nem a Macedónia a desmarcar-se da Jugoslávia, levantou a cabeça e pôs a bola certinha nos pés do mágico. Empatámos.

COATES

A defender, o costume. Não prima pela elegância, está longe de ser um cisne que rouba a bola aos adversários num adaggio gracioso que termina em plie. Mas quem é que precisa de elegância quando se pode ter eficácia? Limpa aquilo tudo que nem uma Cinderela de Aljubarrota, sai para o ataque e ainda mete os outros a correr para fazerem o golo.

MATHIEU

É campeão do Mundo (não jogou mas é francês, por isso, é campeão do Mundo, não me lixem). Abanou ali umas vezes quando aquele Bilé, Bilela, Bitola, não sei, o avançado do Moreirense, lhe apareceu pela frente a bailar. Mas allez les bleus e segurou a egalité et depuis la victoire, com destaque para uma recuperação aos 52’ em que foi da área do Moreirense à nossa em tanto tempo quanto o Petrovic dá meio passo.

JEFFERSON e ACUÑA

Domingo, 12 de agosto, tarde de verão, aquele solzinho bom. Cheira a churrasquinho, cheira a picanha e chuléton, o calor pede pisco sour e chopinho, a luz pede pagode, forró e sertanejo. Hoje não era dia de jogar à bola. Eu entendo-os. Mas quando for assim, avisem que o Peseiro pode sempre lá pôr o Nelson Évora a fazer o lugar dos dois e só com triplos saltos de certeza que é menos comido do que estes.

BATTAGLIA

Sabem quando vocês estão com uma tesaneira gigante para beberem 7 litros de cerveja, curtir a noite e só voltar para casa já de dia outra vez, mas o amigo que vai convosco fica logo tão bêbado logo na primeira meia hora que já não se mexe mais? É assim que o Bataglia se deve sentir ao lado do Petrovic.

PETROVIC

Dá-me ideia que ele não sabe muito bem o que fazer com aqueles pernas tão compridas. Não vou ficar espantado se um dia ele estiver no meio do campo, todo vestido de cor-de rosa, com uma perna dobrada para cima e a tentar alimentar-se de plâncton. Até porque parado não é muito diferente da velocidade a que jogou hoje, que é uma velocidade que nem estou habituado a ver no futebol, é mais comum no chinquilho.

BRUNO FERNANDES

Não se contentou em ser o melhor jogador da Liga na época passada, hoje avisou-nos já que quer bisar nesse título. Levámos o primeiro golo e ele deve ter pensado “Então acabei a época passada a levar nos cornos, quis continuar aqui e já estamos a perder? Já dei para esse peditório”. E a partir daí, de cada vez que ele tocava na bola eu sentia a alegria de um pai que viu o filho fugir de casa, mas que rapidamente voltou arrependido. Só me apetecia abraçá-lo.

NANI

Começou o jogo a levar um amarelo por perguntar ao árbitro se ele estava maluco. Tendo em conta que o Bruno Fernandes pouco depois também levou um amarelo por palavras, fiquei com a ideia que a Liga não tinha árbitros disponíveis para hoje e, por isso, mandou antes um professor de Português. Já se sabe que o forte desta malta na bola não é as palavras, daí os amarelos ao desbarato por frases mal construídas, provavelmente. Tirando um lindíssimo passe de peito e mais um apontamento ao outro, pouco mais do nosso novo capitão de quem esperamos melhor.

BAS DOST

Esteve a primeira parte toda a olhar para a bancada onde estavam as claques do Sporting. É compreensível que tenha precisado de 45 minutos para ter a certeza que não iam sair dali a correr não sei quantos bandidos para lhe dar com um cinto na cabeça. Conseguiu relaxar e quis jogar à bola na segunda parte e ser o Bas Dost de quem nós tanto gostamos a quase deslocar o maxilar com aqueles gritos que manda ao festejar os golos. Um penalty com a calma de quem saiu de uma coffee shop em Amsterdão, e um chapéu no segundo golo que devia estar numa daquelas montras vermelhas que eles também lá têm.

JOVANE

O meu medo era que ele marcasse o golo da vitória. Os jornais desportivos de certeza que amanhã iam escrever na capa “Jovin, Jovan, cada día yo te quiero más” e eu ia sentir muita vergonha alheia. Não marcou, felizmente, mas ainda bem que foi para cima deles sem medos.

RAPHINHA

Muito rápido e com aquele carinha morena e esguia, estava a fazer-me lembrar muito do Liedson. Só que depois falhou aquele golo isolado e apagou a minha nostalgia sem piedade. Pior do que isso neste lance, só mesmo o comentador da Sport TV quando disse “ofereceu o peito literalmente às balas”. Sim, porque o Raphinha estava literalmente com uma arma a mandar-lhe balázios de chumbo para o peito. Claro que estava, literalmente.

SOUSA CINTRA

Pequeno apontamento para Sousa Cintra. Quando marcámos o segundo, as imagens mostraram-no a mexer no telemóvel em vez de estar a festejar. Fica a dúvida se estaria no Tinder ou a escrever um Tweet: #ChupaBruno.

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