www.dinheirovivo.ptPaulo Nunes de Almeida - 12 ago 11:10

Os velhos custos do contexto

Os velhos custos do contexto

À semelhança do Inquérito de 2014, o sistema judicial, os licenciamentos e o sistema fiscal continuam a figurar como os de maior impacto negativo.

O INE divulgou os resultados do Inquérito aos Custos de Contexto à atividade das empresas de 2017. Embora com algumas diferenças, a perceção relativa à existência e impacto de tais custos, seja qual for o domínio, é transversal à dimensão e setor de atividade.

À semelhança do Inquérito de 2014, o sistema judicial, os licenciamentos e o sistema fiscal continuam a figurar como os de maior impacto negativo, com mais de metade das empresas a classificar a carga fiscal como um obstáculo elevado ou muito elevado.

Em termos de evolução, os recursos humanos foram o domínio em que os empresários percecionaram um maior agravamento, traduzindo as dificuldades na contratação e no acesso a técnicos qualificados (confirmando, assim, a nota que assinalei neste mesmo espaço há 15 dias atrás). Por setor, acentuaram-se os entraves à indústria, que subiu da terceira para a segunda posição, a seguir ao alojamento e restauração (que manteve a posição), denunciando uma situação inquietante, por se tratar de dois importantes setores produtores de bens e serviços transacionáveis, que muito têm contribuído para elevar a intensidade exportadora.

Não sendo novos, ou sendo mesmo velhos entraves, importa deter uma atenção especial à envolvente empresarial, criando condições de crescimento sustentável. Uma das vias é o desagravando da carga fiscal, que embora abaixo da média europeia está acima de alguns países concorrentes de Portugal, em particular na atração de investimento, com rácios da carga fiscal ainda mais distantes da média, como alertou, e bem, o Conselho das Finanças Públicas.

Reafirmo, não podemos abdicar de políticas que promovam o investimento, as exportações de bens e serviços e, em geral, as condições de competitividade das empresas. No momento em que se começa a discutir o Orçamento do Estado para 2019, seria importante que os políticos tivessem em conta os resultados deste Inquérito, em vez de perderem tempo com discussões inúteis, que em nada contribuem para apoiar as empresas e o país.

Presidente da AEP – Associação Empresarial de Portugal

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