www.publico.ptopiniao@publico.pt - 12 ago 06:10

Raios nos partam

Raios nos partam

Teremos nós tal abundância de peixes do mar que nos podemos dar ao luxo de deitar fora peixinhos tão saborosos como os peixes-agulha?

Hoje almocei uns peixinhos que se deitam fora e cujo nome popular é uma obscenidade que serve para exprimir a revolta de quem involuntariamente o pesca ou compra, escondidos entre as sardinhas.

Chamam-se peixes-agulha e não têm valor comercial. Não se vendem. Não se podem comprar. É incrível. Valha-nos o sempre excelente Luís Pontes, cujo blogue Outras Comidas é tão bem escrito, divertido, sábio e informativo, cheio de fotografias explicativas e apetitosas, que deveria ser publicado em livro para pôr ao lado dos clássicos da cozinha.

Luís Pontes também é autor de receitas sublimes para boquerones de biqueirão e em 2013 mostrou-nos como fazer o mesmo com os peixes-agulha. O sabor delicioso do peixe-agulha é, de facto, muito parecido com o do biqueirão. O bico é ideal para segurar o peixe para trincar. O único problema é ter as vísceras amargas, pelo que se devem deixar o cachaço (e já agora a cabeça) do bicho. Ou então pode ser mal só daqueles que comi que, de resto, estavam uma maravilha.

Tendo a sorte de pescá-los sem querer, porque havemos de praguejar com palavrões o "azar" de vê-los nas redes?

Já alguém deu oportunidade aos consumidores de provar o peixe-agulha e sei lá quantos outros peixinhos que não temos maneira de conhecer? É tratando assim o peixe que mostramos merecer a nossa costa? É assim que enfrentamos a pesca excessiva?

Metemos nojo.

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