www.cmjornal.ptCarlos Moedas - 10 ago 01:30

Galileo – ele move-se

Galileo – ele move-se

Em julho foram lançados mais quatro novos satélites. Ao todo, já são 26 e um deles chama-se Alexandre, uma criança portuguesa.
Toda a gente já ouviu falar no famoso Galileu Galilei. É hoje sobretudo conhecido pela defesa teimosa daquilo que considerava ser cientificamente correto com base nas suas observações: a Terra movia- -se em torno do Sol, e não o contrário. Valeu-lhe por isso ser perseguido pelo Santo Ofício. Reza a lenda que, após ter sido obrigado a negar publicamente o movimento da Terra, teria sussurrado: "e no entanto, ela move-se."

É pois muito apropriado que a Europa tenha desenvolvido um sistema global de navegação por satélite com o nome ‘Galileo’, em homenagem a um cientista que tanto teve os olhos postos no firmamento, estudando os astros com os seus telescópios, como na terra, em áreas como a física e a engenharia. Isto porque o sistema Galileo, ao oferecer serviços de geolocalização (de que muito precisamos aqui na Terra), assenta num conjunto de satélites que estão na órbita do nosso planeta.

No passado dia 25 de Julho foram lançados mais 4 novos satélites. Ao todo, já são hoje 26 satélites e um deles chama-se Alexandre, uma criança portuguesa, Alexandre Lourenço, que ganhou um concurso de desenho em 2011.

Mas porque precisamos de um sistema europeu de navegação por satélite? Não nos chega o GPS americano, que já conhecemos?

Primeiro, porque o sistema Galileo é a garantia da nossa independência estratégica. No mundo em que vivemos, não podemos estar dependentes de sistemas não-europeus que não controlamos. Se de um dia para o outro, o sistema GPS fosse restringido pelos norte-americanos poderíamos sempre garantir a nossa independência.

Segundo, Galileo é o único sistema civil do mundo, todos os outros são militares. Hoje a importância que a navegação por satélite tem em setores não militares como os transportes, navegação, topografia, cartografia, agricultura ou telecomunicações exige uma solução civil, que só a Europa desenvolveu. Terceiro, o sistema Galileo é mais preciso (localiza dentro de um raio de até 20 cm) e será o único a oferecer um serviço de busca e salvamento, que permitirá detetar e salvar uma pessoa perdida no mar ou na montanha 10 minutos após a ativação da radiobaliza, informando a pessoa que a acionou de que o sinal foi recebido.

Gosto de pensar que, se Galileu Galilei pudesse ver hoje o que a cooperação e inovação europeia conseguiram alcançar, sentiria que a sua teimosia tinha valido a pena, e teria orgulho em ser europeu.
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