blitz.sapo.ptblitz.sapo.pt - 14 jul 01:58

A 'febre' Portugal. The Man no NOS Alive: "Obrigado por nos deixarem usar o vosso nome"

A 'febre' Portugal. The Man no NOS Alive: "Obrigado por nos deixarem usar o vosso nome"

O segundo palco do NOS Alive foi minúsculo para receber a romaria que veio ver a banda de 'Feel It Still', um dos maiores sucessos dos últimos tempos

Começar pelo fim é começar por 'Feel It Still', a elástica canção funk/R&B, um dos singles de maior sucesso nos Estados Unidos (e não só) em 2017, obra certeira de uma banda algo indisciplinada (já foi rock psicadélico, já foi glam, já foi muita coisa) que há sete (!) álbuns anda a tentar encontrar um 'furo'. Um palco Sagres repleto de gente, povo a acumular-se nas suas imediações, almas aventureiras empoeiradas em árvores e outras acrobacias: a canção que toda a gente queria ouvir resume-se a menos de 3 insidiosos minutos de dança e não foi prolongada para um efeito mais orgástico. Deixou fome.

Em 2016, no festival de Paredes de Coura, os Portugal. The Man - formados no Alaska em 2004, agora sediados em Portland - pareciam uma banda algo conformada com o impasse: depois de um percurso discográfico constante, estavam há dois anos a trabalhar num disco, "Woodstock", que só sairia um ano depois do concerto minhoto. O público, então, não exultou.

Vê-los agora adulados por uma massa humana que talvez não desdenhasse ver este concerto no maior palco do festival tem o seu quê de surpreendente (o que não faz um êxito!), mas também de merecido: é com estas glórias inesperadas e eventualmente efémeras que se pontuam momentos. E este é, decididamente, o momento dos Portugal. The Man, uma banda que a América encara agora como a derradeira esperança do rock, apesar de a mesma ter precisado de se tornar pop para chegar a todos por igual.

Misturando citações de rock clássico (houve passagens por 'Gimme Shelter', dos Rolling Stones, e 'Another Brick in the Wall Part 2', dos Pink Floyd) e recorrendo amiúde a 'riffalhada' mais pujante, o grupo quis mostrar-se além do 'hit', elencando canções de vários álbuns, como que dizendo "nós já andamos nisto há algum tempo".

Quase sempre na penumbra, com um pano de fundo multicolorido por onde chegaram a passar mensagens escritas em português, os Portugal. The Man tanto se entregaram à dance-pop devidamente amanteigada por Danger Mouse ('Atomic Man') - refrões onomatopaicos para dançar, linhas de sintetizador comestíveis - como a momentos de maior rugosidade elétrica (vide a suite 'floydiana' que se ouviu perto do fim).

Sem grande palavreado além de um pedido de cheeseburgers (não atendido), o vocalista John Gourley preferiu comunicar através da tela de projeções. E aí os Portugal. The Man assinalaram o óbvio, em jeito de agradecimento: "obrigado por nos terem deixado usar o vosso nome". Obrigado nós.

1
1