blitz.sapo.ptblitz.sapo.pt - 14 jul 01:43

Há heróis do rock e depois há os Queens of the Stone Age. Josh Homme conquistou, esta noite, o título de domador do NOS Alive

Há heróis do rock e depois há os Queens of the Stone Age. Josh Homme conquistou, esta noite, o título de domador do NOS Alive

Bastaram 17 canções bem destiladas durante hora e meia para apagar memórias menos boas da última passagem do coletivo norte-americano por Lisboa

A excitação era muita e a entrada pomposa - com alguns minutos de atraso, que só ajudaram a aumentar a expectativa - marcou cedo o tom para mais uma atuação vibrante dos Queens of the Stone Age em solo nacional. O palco do NOS Alive era, à partida, uma aposta ganha (pelo menos mais acertado do que o do Rock in Rio-Lisboa, onde atuaram há quatro anos) e a prestação intensa, com o pé quase sempre no acelerador, de Josh Homme e seus comparsas não desiludiu.

Trazendo um "Villains", último álbum de originais, ainda fresco na memória, entraram a fundo com 'Feet Don't Fail Me', um dos momentos mais na mouche de um disco que, apesar de não nos ter enchido as medidas, parece ganhar uma nova vida ao vivo: o corridinho 'The Way You Used to Do' puxou o pé para a dança; 'The Evil Has Landed', servido um pouco mais à frente, trouxe o falsete "no ponto" de Homme para o centro das atenções; e um mais genérico 'Domesticated Animals' levou-os a carregar bem no acelerador.

Mas o público, claro, estava mais interessado em ouvir as canções que ajudaram a transformar os Queens of the Stone Age na maior banda rock dos últimos 20 anos. E não saiu desiludido, certamente, avaliando pela forma como a sempre magistral 'No One Knows' foi entoada do início ao fim (com direito a momento intenso de "drum hero" pelo meio), a sensibilidade de 'Make it Wit Chu' a deixar todos pelo beicinho, a explosão de energia condensada de 'Little Sister' (dedicada "às senhoras que estão aí em baixo") a destacar-se como um dos pontos mais altos do concerto e os clássicos 'Go With the Flow' e 'A Song for the Dead', recuperados ao passado longínquo de "Songs for the Deaf", e o ainda mais velhinho 'In the Fade' a comporem bem o ramalhete de sucessos.

Provando, contudo, que o brilhante "... Like Clockwork" ainda está bem presente na vida dos QOTSA, o coletivo californiano brindou o Passeio Marítimo de Algés com alguns dos seus momentos mais marcantes. Entre as guitarras rasgadas de 'Smooth Sailing', os ziguezagues de 'I Sat by the Ocean', a trovoada de 'My God is the Sun' e uma dançável 'If I Had a Tail', tornou-se óbvio que o disco de 2013 é, e será, um dos pontos mais altos de um percurso que se alonga por mais de duas décadas.

O som pode não ter sido dos melhores em alguns momentos do concerto (ou terá sido dos nossos ouvidos?), mas os votos de amor de Homme e companhia pelo público português foram esta noite renovados. "Adoramo-vos", disse várias vezes o vocalista, mas nem era preciso porque já o sabíamos bem.

Feet Don't Fail Me
The Way You Used to Do
A Song for the Deaf
Smooth Sailing
The Evil Has Landed
In the Fade
You Think I Ain't Worth a Dollar, but I Feel Like a Millionaire
No One Knows
I Sat by the Ocean
Burn the Witch
My God Is the Sun
If I Had a Tail
Domesticated Animals
Make It Wit Chu
Little Sister
Go With the Flow
A Song for the Dead

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