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Azeredo Lopes vai terça feira ao Parlamento. Tancos será "inevitável"

Azeredo Lopes vai terça feira ao Parlamento. Tancos será "inevitável"

O tema que leva Azeredo Lopes à Comissão Parlamentar de Defesa é a NATO. Mas o ministro vai ser apertado sobre Tancos. A reunião é à porta fechada. Azeredo Lopes mantém o silêncio sobre "eventuais fugas de informação" em processo a correr.

Azeredo Lopes vai na próxima terça-feira à Comissão Parlamentar de Defesa e vai ser confrontado com os últimos desenvolvimentos do caso Tancos. "É inevitável", afirmou ao Expresso Pedro Roque, deputado do PSD e coordenador do partido naquela comissão.

O tema da audiência é a cimeira da NATO, mas Pedro Roque considera que "será uma boa oportunidade para o senhor ministro esclarecer o assunto. Foi dito que todo o material desaparecido em Tancos tinha sido encontrado, até com um bónus. O sr. ministro terá oportunidade de dizer se tem informações novas para dar ou se desmente a notícia do Expresso", afirma o deputado.

Para abrir espaço para a discussão do caso Tancos, Pedro Roque vai propôr um desdobramento da reunião de terça-feira: uma parte para falar da cimeira da NATO, outra para questionar o ministro da Defesa sobre a informação de que, afinal, parte do material roubado em Tancos ainda anda à solta.

À Lusa, o deputado João Rebelo, do CDS, reforça que o ministro da Defesa terá que ser confrontado com a “informação incorreta” prestada ao Parlamento sobre o material roubado há um ano. Estupefacto com a notícia do Expresso, o coordenador do partido na Comissão de Defesa, diz que “acompanha o comunicado do Presidente da República em que este manifesta preocupação”.

Marco António Costa, presidente da comissão de Defesa, diz neste sábado ao Expresso que a confirmar-se que ao contrário do que foi dito pelo Exército e pelo Ministério da Defes ainda andam à solta explosivos e granadas roubados de Tancos, está-se perante uma situação "muito grave" e "tudo isto vai obrigar a uma averiguação forte.”

A reunião com Azeredo Lopes decorrerá à porta fechada, não por pedido do ministro da Defesa, mas por decisão dos próprios deputados. Fonte oficial adianta ao Expresso que o ministro não deverá estar disponível para se alongar em declarações aos jornalistas, enquanto aguarda pelo desfecho da investigação a correr no Ministério Público

O Presidente da República concorda que é na investigação em curso que .se deve colocar o foco. Marcelo Rebelo de Sousa foi rápido a reagir à manchete do Expresso e colocou uma nota na página oficial da Presidência a reafirmar "de modo ainda mais incisivo e preocupado, a exigência de esclarecimento cabal do ocorrido com armamento em Tancos".

Numa referência indireta à guerra entre a Polícia Judiciária e a Polícia Judiciária Militar, que a notícia do Expresso ilustra com informações sobre escutas realizada pela PJ a dois telefones ao serviço da PJM, o Presidente da República acrescenta ter "a certeza de que nenhuma questão envolvendo a conduta de entidades policiais encarregadas da investigação criminal, sob a direção do Ministério Público, poderá prejudicar o conhecimento, pelos Portugueses, dos resultados dessa investigação. Que o mesmo é dizer o apuramento dos factos e a eventual decorrente responsabilização. "

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