observador.ptPedro Barros Ferreira - 13 jul 23:55

Enciclopédia (pequena) do comentador

Enciclopédia (pequena) do comentador

Há expressões que são repetidas ad nauseam pelos chamados comentadores e, de igual forma, pelo povo. Pretende-se, com esta Enciclopédia, ajudar a que as pessoas possam tirar – se possível – conclusões

Tornou-se práctica, nos comentadores portugueses – de política – o uso de determinadas expressões. As mesmas, são repetidas ad nauseam, pelos chamados comentadores e, de igual forma, pelo povo em geral. Pretende-se, com esta Enciclopédia, ajudar a que as pessoas possam tirar – se possível – conclusões, daquilo que é dito pelos comentadores.  Alguns exemplos:

À política, o que é da política e à justiça o que é dela. Uma falácia. É tudo política. Deixem-se de partes. Exemplo: Se uma Autarquia adquiriu bens e serviços, a uma empresa cujo proprietário é do mesmo partido – e conhecido – dos autarcas que decidiram a sua aquisição, a matéria é – não podia ser mais – política. Politicamente, a ausência da prova, não é a prova da ausência. A expressão é usada normalmente, em concomitância com “Deixem a Justiça Trabalhar”.

Deixem a Justiça Trabalhar. Expressão muito usada pelos partidos a quem pertencem os arguidos. Também é usada pelos visados das investigações – ou pelos seus advogados – como método para que não se fale do assunto, tipo: isto agora é a hora de quem sabe. “Esta é a hora da justiça”, pode ser usada em alternativa, mas quer dizer o mesmo. Há quem use Omertà.

Alegadamente. Muito usado pelos comentadores que têm medo que lhes ponham processos em cima. Em alternativa pode ser usado o “supostamente”.

Crime de colarinho branco. Crimes cometidos por malta que passou a comprar fatos na Labrador, com o dinheiro da corrupção. Regra geral também mentiram nas habilitações.

Agenda. Quem a não tem.

Arguido. Parem, sff, de dizer que ser constituído como tal, é para segurança do próprio. Treta. Só é arguido quem o Ministério Público quer que seja. Normalmente quem o é, é suspeito.

Deduzir a Acusação. Só é feita, a quem foi anteriormente constituído arguido. Got it?

O transitado em julgado. Outro que já não se pode ouvir. Não deve funcionar para manter durante anos e anos os suspeitos, que passaram a arguidos e depois a acusados, em funções – mesmo que reclamem inocência. O transitado em julgado deve servir para, em caso de absolvição, possibilitar o seu retorno à vida política, de uma forma reforçada.

Demora da Justiça. Culpa das séries de televisão, made in USA, que ensinou o pior que pode existir na justiça americana. Arranjar “tecnicalidades” (palavra não existente) para safar um criminoso, não é trabalho dos bons advogados.

Advogado. Ambiguidade com Comentador de futebol.

Parecer. Diz-me quanto pagas, dar-te-ei o meu Parecer.

Pena de prisão. O mesmo que erro judiciário.

Real Politik. Por favor, não tem nada a ver.

Estatísticas. Quando não sabemos – ou queremos – medir o que é importante, medimos o que queremos, ou que conseguimos.

Onde há Homens há corrupção. E isso é desculpa?

PGR. Criação de Helena Marques Vidal. Vamos ver se resiste.

Politólogo

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