www.cmjornal.ptCarlos Moedas - 13 jul 01:30

Internet boa e internet má

Internet boa e internet má

Uma coisa é partilhar conhecimento, outra é partilhar criações artísticas. As criações devem ser remuneradas.
Em 30 anos de existência, a Internet mudou as nossas vidas - e eu diria para melhor. Permitiu-nos avançar na ciência, melhorou os nossos serviços, transformou indústrias mas sobretudo permitiu-nos mudar a vida de muitas pessoas em todos os cantos do mundo.

Joshua Okello nasceu no Uganda, um país em que muitas mulheres ainda morrem durante o parto. Ao ver que os estetoscópios usados para ouvir o bebé eram apenas um cone em plástico que a parteira encostava à barriga da mãe para o tentar fazer, lembrou-se de ligar este estetoscópio tão rudimentar a um simples telemóvel que pudesse transmitir os sons e toda a informação para um médico no hospital mais próximo, salvando assim muitas vidas.

Esta é a Internet com que Tim Berners-Lee sonhou. Um mundo onde um estudante do Uganda consegue mudar e salvar a vida de tantas mulheres. A Internet altruísta e de partilha de informação que permite que todos contribuam para um mundo melhor. E talvez por isso Tim Berners-Lee, o inventor dessa Internet altruísta, tenha pedido esta semana aos deputados europeus que votassem contra a nova diretiva europeia do direito de autor.

Mas a Internet de hoje é também a Internet em que tantos músicos, escritores e jornalistas veem o seu trabalho utilizado por outros sem receberem a justa remuneração pelas suas criações. Será aceitável um músico ver as suas músicas partilhadas sem ser remunerado por isso? Será aceitável um jornalista ver os artigos que assina copiados com intuito comercial sem compensação?

Estas práticas tornaram-se banais mas não são justas. Uma coisa é partilhar conhecimento; outra é partilhar ideias e criações artísticas. As criações são de quem as concebe e devem ser remuneradas.

Por isso é necessário que, de uma vez por todas, as plataformas tecnológicas verifiquem sempre se o que publicam respeita os direitos de autor. E também que tenham sistemas que possam remunerar convenientemente os criadores quando partilham trabalho que não é seu. Foi esta a proposta que fizemos ao Parlamento Europeu e que na semana passada não conseguimos ver ainda aprovada.

Se não aprovarmos esta proposta estaremos a aumentar cada vez mais o fosso entre uma internet ‘boa’ e altruísta como a de Joshua Okello e uma Internet ‘má’ que explora os criadores e artistas levando a uma redução da inovação e criatividade nas nossas sociedades.

O perigo das meias verdades 
"Nós somos os tontos que pagamos tudo. Os EUA pagam entre 70 e 90% para proteger a Europa", afirmou Donald Trump antes da cimeira da NATO. Esta afirmação é uma meia verdade. É verdade que os EUA são o país que mais paga para a NATO, mas não é verdade que paguem entre 70 a 90%. Trump, propositadamente, confunde vários conceitos. Dizer que os EUA são o país que mais gasta em defesa em percentagem da sua riqueza não quer dizer que gaste esse montante em missões ou ações da NATO.

Os EUA representam 70% do gastos em defesa de todos os países da NATO mas, se olharmos para os gastos da NATO que são repartidos e pagos por todos, os EUA só pagam 22%. A Alemanha e a França pagaram 34% do bolo em 2018. Depois, parece não perceber que o valor do multilateralismo e das entidades supranacionais não é o dinheiro, é a capacidade de nos sentarmos à mesa e nos defendermos mutuamente. O famoso Art.º 5 da NATO, que afirma que um ataque a um dos membros deve ser considerado um ataque a todos, só foi acionado uma vez , a 11 de setembro de 2001, em solidariedade com os EUA. Por isso, chegou a hora de sermos mais assertivos nas ações e nas palavras.

Chegou a hora de uma verdadeira União Europeia da Defesa.

Draghi: o fator de estabilidade
Continua exemplar o desempenho de Mario Draghi a presidir ao Banco Central Europeu. Parco em palavras, intervém na altura certa e num tom assertivo. O Eurogrupo de Centeno e os mercados agradecem a estabilidade cria- da, afastando agora qualquer cenário de recessão em 2020.

Theresa May: de mal a pior
Demissões de David Davis e Boris Johnson são mais um compasso de espera no Brexit. Com um parlamento a reivindicar um papel mais ativo e um governo dividido, Theresa May navega à vista das negociações. Já Churchill dizia que quando se está a atravessar o inferno, é melhor não parar antes do fim.

120 milhões, é o número de turistas europeus previstos para este verão. A partir de 1 de julho, a UE reforçou os direitos dos viajantes nos casos de férias organizadas, através de direitos de cancelamento reforçados, reembolso e repatriamento em caso de falência ou alojamento se a viagem de regresso não puder ser efetuada.
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