www.jornaldenegocios.ptjornaldenegocios.pt - 13 jul 21:08

Se a OPEP não abrir a torneira do petróleo, os EUA e aliados ponderam libertar reservas

Se a OPEP não abrir a torneira do petróleo, os EUA e aliados ponderam libertar reservas

O presidente norte-americano, Donald Trump, tem instado a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) a colocar mais crude no mercado. O cartel decidiu pôr fim ao corte de produção que vigorou durante um ano e meio e vai aumentar a oferta. Mas pode não ser suficiente e os EUA e aliados já ponderam recorrer às reservas estratégicas.

O presidente norte-americano, Donald Trump, tem instado a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) a colocar mais crude no mercado. O cartel decidiu pôr fim ao corte de produção que vigorou durante um ano e meio e vai aumentar a oferta. Mas pode não ser suficiente e os EUA e aliados já ponderam recorrer aos stocks.

Em inícios de Junho, a Administração Trump pediu discretamente à Arábia Saudita e a outros produtores da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) que aumentassem a sua produção em cerca de um milhão de barris por dia.

Mais para finais do mês, aquando da reunião do cartel em Viena, os membros da OPEP e os aliados aprovaram o que já tinha sido deliberado na véspera apenas por quem integra o cartel. Foi ratificada a decisão de aumentar a produção em um milhão de barris por dia a partir do início de Julho – terminando assim com o acordo de corte da oferta que vigorava desde Janeiro de 2017 e que juntou outros grandes produtores de fora do cartel, como a Rússia.

Mas, na prática, não será esse o volume de aumento da oferta no mercado, pois há países que não têm capacidade para aumentar os actuais níveis de produção. Então quanto vai aumentar a produção? Há respostas para todos os gostos: o Irão diz que não serão mais de 500 mil barris, a Nigéria fala de 700 mil e o Iraque adianta que pode chegar aos 800 mil.

Recentes problemas de ordem técnica e política levaram a perturbações na produção de países como a Líbia, Canadá, Venezuela e Noruega, o que faz com que muitos observadores não vejam neste previsto aumento da actividade de extracção a solução para recuperar os cortes que vigoraram durante um ano e meio e ainda compensar as perdas de produção de outros países.

A juntar-se a isto estão as sanções dos EUA à importação de petróleo iraniano depois de Trump ter decidido rasgar o acordo nuclear com o Irão – que é um dos maiores produtores da OPEP.

Entretanto, o presidente norte-americano ameaçou com sanções os países que não tivessem deixado de comprar petróleo ao Irão até 4 de Novembro próximo, se bem que esta semana tenha dado mostras de que pode recuar nesta pretensão. A União Europeia, por exemplo, não saiu do acordo nuclear com Teerão, pelo que continua a comprar-lhe petróleo.

Com Trump a recear que o aumento da oferta da OPEP não seja suficiente para fazer baixar os preços do "ouro negro", surge agora o relato de que está a ser equacionada uma medida de emergência: abrir a torneira dos stocks de crude em todo o mundo.

A notícia está a ser avançada pelo The Wall Street Journal, que cita fontes próximas da negociação desta opção.

"A Administração Trump está a debater activamente se deve recorrer às reservas petrolíferas de emergência do país", refere o jornal norte-americano. Estas conversações inserem-se num esforço mais alargado que visa garantir que os mercados petrolíferos continuam a estar bem abastecidos – isto numa altura em que, além de perturbações de produção nalguns países, temos a procura mundial a aumentar.

Recorde-se que as reservas de emergência de crude são consideradas estratégicas. A média estabelecida pela Organização de Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), e que é seguida pela Europa Ocidental, é que os países tenham reservas de emergência equivalentes a três meses. Ou seja, se subitamente um país deixar de conseguir obter petróleo mas tiver um inventário que corresponda a três meses de necessidades de consumo, então durante 90 dias as suas necessidades estarão asseguradas.


(notícia actualizada às 22:10)

1
1