observador.ptobservador.pt - 13 jul 15:39

Província angolana da Huíla pede represas e barragens para combater a seca

Província angolana da Huíla pede represas e barragens para combater a seca

O governador da província da Huíla apelou ao Presidente angolano para a construção de represas e barragens como forma de minimizar as consequências da seca que afeta o sul de Angola.

O governador da província da Huíla, João Marcelino Tyipinge, apelou esta sexta-feira ao Presidente angolano, João Lourenço, para a construção de represas e barragens como forma de minimizar as consequências da seca que afeta o sul de Angola.

O apelo foi feito no Lubango, capital da província da Huíla, na abertura da sétima reunião ordinária da Comissão Económica do Conselho de Ministros, orientada pelo chefe de Estado, a terceira descentralizada da atual legislatura, iniciada no final de setembro.

“Como é do vosso conhecimento, esta região tem sido permanentemente assolada pelas secas cíclicas. As medidas que têm sido tomadas pela comissão interministerial sobre a seca são insuficientes, ou seja, não conseguiu fazer uma avaliação correta dos programas dos governos desta região”, disse João Marcelino Tyipinge.

O responsável acrescentou que “uma das medidas” que seria “mais consistente” para combater a seca prolongada no sul passa por “continuar-se a recuperar as chimpacas [para retenção de águas] e pela construção de novas”. “Mas as medidas mais importantes seriam a construção de represas e barragens de média dimensão ao longo dos rios Caculuvare, Bafe, Cuvelai e outros, que teriam várias funções, como água para o gado, águas tratadas para as populações e para a agricultura nas áreas inundadas e não só”, apontou o governador da Huíla. Para João Marcelino Tyipinge, a região sul de Angola tem escassez de água apenas “por falta de aproveitamento racional desses recursos”. “Aqui aplica-se o princípio de que para grandes males, grandes remédios”, apelou.

Segundo o documento de Avaliação das Necessidades Pós Desastre (PDNA, acrónimo em inglês) elaborado pelo Governo angolano, com colaboração do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), União Europeia e Banco Mundial, a seca afetou mais de um milhão de angolanos, e só entre 2015 e 2016 causou danos diretos de 259,8 milhões de euros, bem como perdas de 397 milhões de euros.

Aproveitando a presença do Presidente da República e dos vários ministros, o governador da Huíla alertou ainda para as dificuldades da criação de gado na região: “O outro constrangimento, e grave, é o abastecimento irregular de vacinas para o gado. Esta região concentra o maior número de gado bovino e caprino do país e a ausência de vacinas pode constituir catástrofe”.

Os membros da Comissão Económica do Conselho de Ministros avaliam nesta reunião um memorando sobre o estado de evolução dos Projetos de Investimento Público definidos para as três províncias do sul do país, casos da Huíla, Namibe e Cunene. Após a reunião da Comissão Económica, o chefe de Estado angolano deverá visitar, durante a tarde, infraestruturas públicas e empreendimentos no Lubango.

A primeira reunião descentralizada envolvendo o Conselho de Ministros, na atual legislatura, aconteceu a 8 de novembro, no enclave de Cabinda, com o chefe de Estado a orientar a sessão ordinária da Comissão Económica. As reuniões do Conselho de Ministros acontecem normalmente no Palácio Presidencial, na cidade alta, em Luanda.

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