expresso.sapo.ptexpresso.sapo.pt - 13 jul 20:07

21 anos de prisão para homem que matou e escondeu na arca frigorífica idosa de Estarreja

21 anos de prisão para homem que matou e escondeu na arca frigorífica idosa de Estarreja

O homem que violou, matou e escondeu numa arca frigorífica o corpo de Maria de Lurdes Marques, idosa de 80 anos residente em Salreu, Estarreja, vai estar preso 21 anos. O tribunal de Aveiro considerou o crime particularmente cruel

O Tribunal de Aveiro condenou esta sexta-feira a 21 anos de prisão um homem que matou uma mulher de 80 anos e escondeu o corpo numa arca frigorífica, há pouco mais de um ano, em Salreu, Estarreja.

O crime ocorreu na noite de 26 de maio de 2017, quando o arguido se deslocou a casa de Maria de Lurdes Marques para comprar uma galinha. Enquanto ela se baixava para escolher o animal, o arguido agarrou a vítima por trás e introduziu-lhe um lenço na boca, amordaçando-a com a fita adesiva, e asfixiando-a, concluiu a investigação do Ministério Público.

De acordo com os investigadores, o arguido violou a idosa, desferiu-lhe vários golpes com um objeto que não foi possível identificar e asfixiou-a. Depois de a matar, o arguido terá remexido toda a casa à procura de valores, retirando uma carteira contendo 145 euros e um telemóvel, indo depois deitar-se num quarto da casa.

Na manhã do dia seguinte, o arguido colocou o corpo da idosa no interior de uma arca frigorífica e fechou-a à chave, abandonando a casa ao anoitecer. Maria de Lurdes Marques só foi encontrada no dia 30 pelo seu irmão, que lhe ligava quase todos os dias e que achou estranho que ela não atendesse. Depois de ter visto a casa toda revirada, chamou os bombeiros que, por sua vez, chamaram a GNR e a PJ. Os agentes pediram à empregada de Maria de Lurdes que usasse a sua chave extra para abrir a arca frigorífica com o objetivo de verificar se o corpo da idosa lá estava. Foi nessa altura que fizeram a descoberta macabra: o cadáver da mulher encontrava-se no interior da arca, congelado e amordaçado com uma tira de fita adesiva e um lenço de senhora.

O tribunal entendeu que o crime ocorreu em circunstâncias que revelam “especial censurabilidade”, tendo em conta que o homicida “sabia que a vítima era uma pessoa particularmente indefesa, em razão da sua idade e dos seus graves problemas de saúde”.

“Apurou-se que a vítima tinha 80 anos de idade, tinha problemas de locomoção. Era pessoa debilitada fisicamente”, disse a magistrada, concluindo que a vítima “estava numa situação de completa ausência de defesa”. A juíza referiu ainda que o arguido assumiu parte dos factos, mas “não fez a completa interiorização do desvalor da sua conduta”.

O arguido foi condenado nas penas parcelares de 18 anos e meio de prisão, por um crime de homicídio qualificado, dois anos, por um crime de roubo, cinco anos, por um crime de violação, e nove meses, por um crime de profanação de cadáver. Em c��mulo jurídico, foi-lhe aplicada uma pena única de 21 anos de prisão.

Durante o julgamento, o arguido, que vivia à data como sem abrigo e arrumava carros, contou que se descontrolou, quando pediu um copo de vinho à idosa e ela recusou. “Não sei o que me passou pela cabeça. Agarrei a senhora por trás e coloquei-lhe um lenço na boca e a senhora caiu para trás, mas não tinha intenção de a matar”, disse o arguido.

O homem negou ainda ter agredido a idosa, admitindo que as lesões que a vítima apresentava tenham sido provocadas pelas quedas. “Eu não lhe toquei nem com uma unha. Não lhe bati”, afirmou o arguido, que também negou ter violado a octogenária.

Além deste caso, o arguido estava ainda acusado de homicídio na forma tentada, por alegadamente ter tentado envenenar com um fármaco e um produto para desentupir canos, misturado com groselha, uma mulher com quem manteve um relacionamento amoroso, tendo sido absolvido relativamente a este crime.

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