observador.ptobservador.pt - 11 jul 21:46

Seis concertos a não perder no primeiro dia de NOS Alive

Seis concertos a não perder no primeiro dia de NOS Alive

O que ver além dos grandes cabeças de cartaz Arctic Monkeys? As escolhas não são fáceis, nós propomos-lhe cinco (que na verdade são seis) para ver do fim da tarde ao fim da noite.
Bryan Ferry 19h15, Palco NOS

Senhor do glam britânico, da pop-rock dançável, dos anos 70 e dos anos 80, das festas de garagem e das pistas de dança que já não se fazem (bom, sobreviverão algumas). Bryan Ferry, vocalista dos Roxy Music, autor de um percurso a solo de respeito, crooner que quis pôr os românticos a dançar, tem 72 anos. Nos últimos anos tem-se mantido em atividade: em 2007 fez um álbum de covers de Bob Dylan e desde então lançou dois discos maioritariamente de originais, Olympia (2010) e Avonmore (2014) e um álbum em que revisitava temas emblemáticos da sua carreira, dando-lhes um tom jazz de anos 1920 (The Jazz Age). Isto mostra que Bryan Ferry está bem vivo, vai-se desafiando e vai desafiando o seu público (a colaboração recente com o DJ e produtor de música eletrónica Todd Terje no tema “Johnny & Mary” é mais do que recomendável, já agora), mas o que quase toda a gente quer ouvir no NOS Alive são os êxitos antigos. Dos seus “Slave To Love” e “Don’t Stop the Dance” a “More Than This” e “Avalon” dos Roxy Music. Ergam-se os copos de vinho e dance-se um slow, Bryan Ferry está na cidade. Ou no Passeio Marítimo de Algés. Vocês perceberam.

Nine Inch Nails 20h55, palco NOS

Já lá vão uns bons anos desde que os Nine Inch Nails estiveram em Portugal pela última vez. Nove anos, mais precisamente. Para todos aqueles que eram adolescentes na década de 1990 e gostavam de guitarras e sintetizadores que mais pareciam máquinas destruidoras, era difícil não ter um affair com o rock industrial (a banda veio de Cleveland, talvez se explique por aí) e eletrónico de Trent Reznor e companhia. Mesmo que ocasional. Fugindo aos clichés do rock, sem pertencerem a escola alguma desse género (nem sequer ao grunge, ainda que este contaminasse quase tudo e todos nesses anos), os Nine Inch Nails tinham atitude, estilo próprio e isso era tudo o que era preciso. Mais importante do que isso: sobreviveram e, apesar de alguns percalços (alguns discos dos últimos anos, como Ghosts I-IV, passaram relativamente despercebidos), vão resistindo ao esquecimento. Não serão uma banda que atravessa gerações ou que tem êxitos para serem cantados por enormes multidões, mas têm muitos fiéis, as saudades dos fãs apertam (depois dos tais nove anos de ausência) e editaram este ano um novo álbum, Bad Witch. Trent Reznor agiganta-se ao vivo, resta saber se o clima da noite, mais propícia a Alex Turner e restantes macacos, lhes será suficientemente favorável, já que o público dos Arctic Monkeys não é exatamente o público dos Nine Inch Nails.

Papillon 21h30, palco Clubbing

Vale a pena sair um pouco mais cedo do concerto dos Nine Inch Nails e perder as batidas de Here’s Johnny e Fumaxa no palco Coreto (dois dos melhores DJ e compositores nacionais de instrumentais de hip hop) para assistir ao concerto de alguém que pode ser uma das revelações do NOS Alive. Quem viu Papillon apresentar pela primeira vez o seu primeiro disco Deepak Looper ao vivo, em abril, viu um rapper confiante, carismático, que prepara bem os concertos e que tem já um culto significativo atrás de si. Os fãs cantam as letras do primeiro ao último verso, saltam e fazem moches. O rapper de Mem Martins rima em tom agressivo, em tom íntimo e confessional e em tom festivo, sempre sob camadas sonoras inesperadas e requintadas. É hip hop gourmet que alguns (bastantes) já conhecem mas que pode deixar outros (muitos) surpreendidos. “Tá na hora deste boy bazar p’ra terra prometida” e o NOS Alive pode ser uma paragem importante na viagem.

Khalid 23h05, palco Sagres

Menino bonito do novo R&B americano (açucarado, de tonalidade eletrónica e pop), Khalid ainda não é um grande escritor de canções. Algo que se compreende, até porque tem apenas 20 anos e o seu último disco foi editado já no ano passado, com canções provavelmente escritas aos 18 e 19 anos. Há aspetos, contudo, que permitem antever um futuro auspicioso a Khalid: a voz quente, reminescente da boa tradição soul e R&B e a procura já notória de uma identidade própria. O concerto tem tudo para correr bem: é a estreia de Khalid em Portugal e o cantor atua num dia do NOS Alive em que até terá um público à sua medida, graças aos Arctic Monkeys. Apesar da popularidade que quem atua mais ou menos à mesma hora no palco principal — os Snow Patrol — ainda têm, Khalid pode (e merece) ser um dos destaques do dia.

Arctic Monkeys 0h05, palco NOS

São os grandes cabeças de cartaz do primeiro dia, a banda que toda a gente quer ver. O percurso dos Arctic Monkeys já vai longo e a banda de Alex Turner não quis ser como o Peter Pan, com medo de crescer. “Fluorescent Adolescent”, “I Bet You Look Good On the Dancefloor”, “Brianstorm”, “When the Sun Goes Down” — a vida não pode ser só isso, há que seguir frente, ter bom ar na pista de dança não dura para sempre, por aí fora. O título do primeiro álbum da banda, lido hoje, já dava pistas para o futuro: Whatever People Say I Am, That’s What I’m Not. Humbug, o terceiro álbum (de 2009) deu uma guinada no estilo da banda, Suck It And See voltou a baralhar as contas e AM foi a renovação necessária de identidade que cimentou os Arctic Monkeys no mainstream sem lhes retirar crédito. Ainda assim, quase nada fazia antever Tranquility Base Hotel & Casino, o novo álbum que traz os Arctic Monkeys em Portugal.

A crítica tem sublinhada que o novo disco é o disco mais Alex Turner dos Arctic Monkeys e provavelmente é mesmo. Cheio de swing, também é o menos amigo das guitarras e dos clubes noturnos mas o problema nem é esse, o problema é as canções serem um pouco menos inspiradas do que o habitual num escritor de canções de grande talento. Se os Arctic Monkeys tivessem existido em 1970, estaria tudo em pulgas para saber como conseguiria a banda conciliar tantos registos diferentes e um disco tão pouco amigo da euforia num concerto de festival de verão. Acontece que Robert E. Kahn e Vint Cerf existiram entretanto, o Youtube e o site setlist.fm dão uma ajuda e já se pode fazer previsões quanto ao concerto: ouvir-se-ão alguns temas novos, possivelmente não muitos e todos bem tocados; ouvir-se-ão êxitos antigos mas talvez menos do que os fãs mais antigos desejavam (em particular do grande disco que foi Favourite Worst Nightmare); ouvir-se-ão vários temas de AM e isso é maravilhoso; e o concerto dificilmente será tão bom quanto o último, de há quatro anos, neste mesmo festival. Mas bem, bom será sempre.

Sampha / Orelha Negra 1h35, palco Sagres / 1h45, palco Clubbing

A escolha é difícil, daí que o melhor talvez seja ver um bocadinho de cada concerto. Por um lado temos Sampha, músico e cantor de R&B e soul eletrónica que já tinha colaborado com Drake, Jessie Ware, Kanye West e Solange Knowles antes de editar o seu primeiro álbum, Process. As expectativas eram tão altas que saíram algo defraudadas, apesar do disco (apresentado há dois anos no festival NOS Primavera Sound) incluir um tema com um nível que alguns artistas não conseguem atingir em toda a carreira, “(No One Knows Me) Like the Piano”. Por outro lado, há os Orelha Negra, banda portuguesa composta por João Gomes, Sam the Kid, Francisco Rebelo, Fred Ferreira e DJ Cruzfader que, se perde no fator novidade (porque tocam com alguma regularidade em Portugal), não perde na qualidade musical do seu hip hop ao mesmo tempo samplado e tocado ao vivo com instrumentos, cheio de groove, ideal para a dança de fim de noite. Talvez a escolha dependa do mood de cada um à 1h30 da manhã: haverá quem esteja com vontade de ouvir bonitas canções descontraidamente, e Sampha é o ideal para isso, e haverá quem esteja com vontade de dançar — e nesse caso o melhor é dirigir-se ao palco Clubbing.

Cartaz completo para o primeiro dia:

Palco NOS: 18h Miguel Araújo || 19h15 Bryan Ferry || 20h55 Nine Inch Nails || 22h20 Snow Patrol || 0h05 Arctic Monkeys

Palco Sagres: 17h Vermú || 17h40 Juana Molina || 18h50 Jain || 20h15 Wolf Alice || 21h40 Friendly Fires || 23h05 Khalid || 1h35 Sampha || 3h Blasted Mechanism

Palco NOS Clubbing: 17h QuartoQuarto || 17h45 Bibiana Petek || 18h55 Shaka Lion || 20h15 D’Alva || 21h30 Papillon || 23h PAUS + Holly Hood || 1h45 Orelha Negra || 3h10 Sophie

EDP Fado Café: 17h30 + 18h50 Pedro Seabra || 20h15 + 21h55 Antóno Zambujo || 0h You Should Be Dancing

Coreto by Arruada: 18h30 DJ Glue x SP Deville || 19h50 Dead End x Fumaxa || 21h15 Fumaxa x Here’s Johnny || 22h40 SP Deville x Dead End || 0h05 Here’s Johnny x DJ Glue

Palco Comédia: 17h30 Joel Ricardo || 18h50 Rui Xará || 20h15 Guilherme Geirinhas + Manuel Cardoso || 21h55 Guilherme Duarte || 23h20 Rui Sinel de Cordes

Pórtico NOS Alive: 15h + 16h15 Safarah || 17h30 + 18h45 Os Compotas || 20h A-Gold

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