www.vidaeconomica.ptvidaeconomica.pt - 15 jun 01:27

“Falem agora que eu já estou fora”

“Falem agora que eu já estou fora”

Emoção até ao fim. Discurso fraco em argumentos técnicos mas muito forte em paixão. Foi assim Jorge Jesus, ex-treinador do SCP e que entretanto rumou às arábias, durante o evento no mais recente International Club of Portugal – ICPT.
Uma cláusula de confidencialidade obrigou JJ a ser parco nas informações que todos queriam. Ainda assim, ficaram algumas frases testadas e que foram “a cereja no topo do bolo”. Por exemplo: “Não existem bons presidentes sem bons treinadores, nem bons treinadores sem bons jogadores”. Argumentou que seria penalizado se fugisse ao acordo que fez com a rescisão. A temática no ICPT foi a liderança e JJ não acredita em líderes que simplesmente se fazem, para ele é preciso “ter algo de ADN”. Na Arábia Saudita JJ vai enfrentar uma nova cultura e diz que vai aprender “e vai adaptar-se”. Lembrou a excelente época de Slimani e o trabalho que fez com o argelino durante o período religioso em que este apenas se alimentava com uma refeição. Durante o período do Ramadão o atleta sofreu três desmaios perante o esforço de dois treinos diários.  Outra frase lapidar relacionou-se com o comando. “Princípio da liderança tem a ver com quem nos reconhece capacidade de trabalho”. Ou ainda: “O produto é pessoas e das quais quero (tirar) resultados desportivos e financeiros”. E citando o professor Manuel Sérgio disse que “antes de olhar para os jogadores, tenho de olhar para as pessoas”. Falou igualmente da inovação e de como criar ideias de sistemas de jogo. Adiantou que estuda outras modalidades para criar essa mesma inovação na tática e estratégia. Questionado sobre a solução para a comunicação com os atletas maioritariamente árabes do Al-Hilal, o seu atual clube, disse que “no jogo não há tradutores e a comunicação é baseada no gesto”, para acrescer: “Não vai haver problema”.  Sem querer perspetivar o futuro, já que no atual clube tem contrato por uma época desportiva e opção por uma segunda época, disse, perante a insistência de um possível regresso ao Sporting, que “quem repete não progride e no futebol o criador é o treinador”. Para a seguir ligar os contratos e os clubes ao sentimentalismo. “Há três anos não tinha a noção que tudo isto tinha sentimentalmente a ver com pessoas”. Contou a história de um jovem de rua que lhe perguntou porque mudou do Benfica e isso é sentimento, afirma. E agora já sente o mesmo no momento do abandono do Sporting. “Tudo isto não é fácil. Na carreira tenho de procurar interesse profissional e financeiro, para adiantar que do ordenado de oito milhões de euros no Sporting “chegavam menos de quatro milhões a casa”. JJ fechou a intervenção citando um poema da fadista Fábia Rebordão: “Falem agora que eu já estou fora!”
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