www.cmjornal.ptCarlos Moedas - 15 jun 02:30

G-Europa

G-Europa

Aquele que se isola e ataca todos os outros com o objetivo de os dividir obtém o resultado contrário: a união.
A semana passada foi rica em imagens e situações inéditas, quase todas negativas. Trump decidiu convidar a Rússia para o G7 e ao mesmo tempo culpar todos os seus aliados pelo défice comercial americano.

Quase todos se focalizaram na imagem poderosa da chanceler Merkel e de outros líderes a tentarem convencer um presidente americano sentado de braços cruzados, imagem de intransigência contra o espírito de negociar. Mas para mim houve uma fotografia mais discreta mas talvez mais poderosa na ilustração do nosso futuro. A imagem que acompanha esta coluna mostra que pela primeira vez num G7 – sinal dos tempos – houve uma reunião prévia entre os líderes europeus: o presidente francês, a chanceler alemã, o primeiro-ministro italiano, a primeira-ministra britânica e os presidentes do Conselho e da Comissão Europeia.

Esta imagem é muito poderosa por duas razões: Primeiro, porque constatamos que à mesa dos 7 países mais poderosos do mundo há afinal 9 lugares, e que 6 desses lugares são ocupados por europeus. Isto significa que não devemos subestimar o poder e o peso da Europa à volta desta mesa. Segundo, que numa mesa de 9 pessoas, aquele que se isola e ataca todos os outros com o objetivo de os dividir obtém exatamente o resultado contrário: a união. É revelador que nestes tempos de Brexit, Theresa May tenha percebido que na cena internacional é bem melhor estar alinhada com os seus parceiros europeus.

Na minha geração, o G7 era visto como uma mesa na qual os EUA falavam e os outros ouviam e talvez por isso nunca nos tínhamos dado conta de que a maioria das pessoas à volta daquela mesa é europeia. Pela primeira vez essa imagem de um G7 centrado nos EUA mudou e de certa forma acredito que mudará também a nossa perceção para o futuro. É interessante ver que a união e a liderança da Europa levaram o Canadá e o Japão a aproximarem-se de nós como nunca antes tinham feito.

Ou seja, a reunião começou por uma proposta insensata do presidente Trump de voltar a incluir a Rússia e refundar um novo G8. Acabou num G6 unido em torno da Europa, porto de abrigo do multilateralismo com regras e decência. E com um G1 (os EUA) focado apenas em interesses nacionais de curto prazo. No fundo, fomos pela primeira vez um verdadeiro G-Europa.

Inovação na agricultura 
Nos últimos dias, participei em vários eventos sobre a inovação no setor agrícola. Primeiro, em Beja onde falei sobre o Alqueva, que foi uma mudança radical na paisagem alentejana, mas sobretudo uma grande mudança de mentalidades para toda uma região. Depois em Santarém com Phil Hogan, comissário europeu para a Agricultura, onde anunciámos uma verba de 10 mil milhões de euros no novo programa Horizonte Europa dedicada à inovação neste setor.

A agricultura é um exemplo de que só através da inovação nos podemos diferenciar e criar valor. A tecnologia é alavanca da produção e a inovação a alavanca da diferenciação. Só assim criamos melhores produtos e mais emprego.

Mas a necessidade de inovar na agricultura não se justifica apenas pelo interesse de rentabilizar uma atividade económica. Com efeito, estamos confrontados com grandes desafios: o crescimento da população em mais 2000 milhões de pessoas até 2050, as alterações climáticas e a redução dos recursos em água potável. Sem inovação não seremos capazes de enfrentá-los. Do que vi em Beja e em Santarém, tenho razões para ter confiança no futuro da agricultura portuguesa. Mas sobretudo fica a imagem de uma plateia de agricultores sem medo do futuro.


Rajoy
Um exemplo de resiliência
Sair na hora certa para um político é das coisas mais difíceis. Cedo demais e é-se acusado de abandonar o barco no meio da tem- pestade. Tarde demais e é-se acusado de se estar agarrado ao poder. Rajoy sai do PP de cons- ciência tranquila: atravessou a crise financeira, manteve o país unido e deixa obra feita.

Itália
Maus augúrios
Matteo Salvini, ministro do Interior italiano e líder da Liga, fechou os portos italianos aos barcos com migrantes resgatados no Mediterrâneo, que continuam à espera de um porto de abrigo. Não há tempo para política deste nível perante situações humanitárias dramáticas. Há sim uma obrigação moral de salvar vidas.

4%
dos cidadãos europeus em idade ativa residem noutro país que não o da sua nacionalidade. A situação varia, entre 1% para os alemães e 19,7% para os romenos. Verifica--se ainda que os diplomados do ensino superior são mais mó- veis e com taxa de emprego mais elevada. Portugal é o 4º país da UE com índice mais elevado – 13,9% dos portugueses.

Uma Europa que...
Combate
O branqueamento de capitais. Com estas novas regras, pro- postas pela Comissão em 2016, as infrações e as sanções penais são harmonizadas dentro da UE, garan- tindo que criminosos e terroristas perigo- sos enfrentam san- ções igualmente severas para os seus crimes em toda a UE.







1
1