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Defesa - Exército pronto a acolher centenas de ismaelitas em unidades operacionais

Defesa - Exército pronto a acolher centenas de ismaelitas em unidades operacionais

Jovens muçulmanos xiitas chegam maioritariamente de Moçambique para apoiar cerimónias do Jubileu de Diamante do príncipe Aga Khan em Lisboa. Fundação pediu apoio a militares para os alojar.

O Exército disponibilizou-se a receber quase três centenas de muçulmanos da comunidade ismaelita em unidades militares de Lisboa, Queluz e Paço de Arcos no início de julho, soube o DN.

Diferentes fontes explicaram que o Exército, em resposta a um pedido da Fundação Aga Khan, aceitou acolher esses elementos no Regimento de Artilharia Antiaérea n.º 1 (da Brigada de Intervenção), em Queluz, no Regimento de Transportes (Lisboa) e na Unidade de Apoio do Comando da Logística (Paço de Arcos).

Os muçulmanos xiitas ismailis são moderados e têm uma importante comunidade radicada há muito em Portugal, mas o facto de ficarem instalados em unidades operacionais tem suscitado reservas em vários círculos militares, desde a própria decisão de um ramo das Forças Armadas acolher civis em quartéis aos custos cobrados e às medidas de avaliação de segurança adotadas.

O porta-voz do Exército, tenente-coronel Vicente Pereira, confirmou que o ramo "está a apoiar" a Fundação e remeteu o DN para essa instituição da comunidade ismaili.

Na base da decisão está um pedido da Fundação Aga Khan, no sentido de encontrar alternativas de acolhimento para esses voluntários que, entre os dias 5 e 11 de julho, irão apoiar as cerca de 40 mil pessoas esperadas em Lisboa para participar no Jubileu de Diamante do príncipe Aga Khan - 49.º líder espiritual dos ismaelitas e em funções desde 1957.

Uma fonte do Imamat Ismaili (Comunidade Ismaelita), que em 2015 celebrou um acordo com Portugal para estabelecer a sua sede mundial em Lisboa, explicou ao DN que na base do pedido feito ao Exército, para instalar os voluntários "a um custo simbólico", está a falta de vagas nos hotéis durante aquele período, os elevados custos dos locais disponíveis e o montante que esses voluntários podem pagar.

De qualquer forma, adiantou a citada fonte, não existe ainda qualquer acordo e os voluntários que tenham família em Lisboa poderão dispensar a ida para as unidades do Exército.

Segundo as fontes, sem precisar números, o ramo ofereceu mais de uma centena de lugares em Lisboa e mais de meia centena em cada uma das unidades de Queluz e Paço de Arcos.

Em matéria de custos a cobrar à Fundação Aga Khan, o Exército propôs um valor inferior em cerca de 50% ao que está internamente definido para apoio a entidades externas à instituição: 10 euros pelas dormidas e 2,5 euros no pequeno-almoço.

Segundo uma das fontes militares, o ramo decidiu cobrar uma verba diária de apenas 5,5 euros acrescida de uma "taxa reduzida" de 6% (33 cêntimos) por cada pessoa.

Quanto às questões de segurança, o Exército requereu a entrega de listas com os nomes das pessoas a receber, que cada tenha visível um cartão de identificação com fotografia enquanto estiverem no interior dos quartéis e, ainda, a indicação de um representante de cada grupo como elemento de contacto com os responsáveis das unidades militares.

Contudo, talvez devido ao aumento da ameaça extremista islâmica em Moçambique, algumas fontes questionaram-se sobre que grau de avaliação de segurança prévia estará a ser feita para saber quem são as pessoas a acolher e se representam algum risco.

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