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Foca do Nordeste Atlântico nadou até Gaia

Foca do Nordeste Atlântico nadou até Gaia

Há já dez dias que a Reserva Natural do Estuário do Douro, situada na margem sul da foz do rio, em Gaia, deu as boas-vindas a um novo inquilino. Casa para um enorme número de aves durante o ano inteiro ou abrigo temporário para espécies migratórias, o estuário foi o espaço escolhido por uma foca-cinzenta para assentar arraiais.

Oriunda do Nordeste Atlântico, talvez do norte de Inglaterra ou da Irlanda, a foca-cinzenta (Halichoerus grypus) tem despertado a curiosidade de quem passa. "É raro, embora haja aparecimentos, que um animal apareça longe da área de distribuição", explicou ao JN Nuno Gomes Oliveira, biólogo e fundador do Parque Biológico de Gaia, acrescentando que "é frequente (os animais) perderem-se e irem dar a sítios onde não deviam estar".

Neste caso, o mais provável é tratar-se de um "indivíduo juvenil" que se tenha perdido e saído das regiões subárticas, onde habitam os cerca de 632 mil mamíferos da mesma espécie. "Por ser nova, inexperiente, perdeu-se e apareceu aqui", disse, contando que, há dias, um papa-moscas apareceu no Parque da Cidade depois de, presumivelmente, se perder do voo migratório.

Questionado sobre se a aparição da foca poderia ser um efeito das alterações climáticas, o especialista afastou a hipótese: "Não se pode dizer que saiu do norte porque o ambiente lá é mau ou que veio para aqui porque o Douro é despoluído". Mas é certo que veio encontrar "um lugar com boas condições de abrigo e alimento", rico em taínhas. "Descobriu um bom serviço de hotelaria (risos)".

O mais provavél é que, com o regresso do tempo quente, a foca se afaste das águas do Douro e siga por "caminhos mais frios". Enquanto isso não acontece, o melhor é deixá-la no seu canto e evitar a tentação de lhe tentar tocar. "Se alguém lá for mexer, claro que é perigosa", avisou o biólogo.

Ao contrário do que sucedeu com uma foca que, em 2014, foi capturada em Sagres, por se encontrar com ferimentos no corpo, "não há razão para provocar-lhe o stress da captura". "Esta não mostra sinais nenhuns de nada. Até parece bem-disposta nas fotografias". O mesmo achou o fotógrafo de natureza Paulo Leite que, de câmara na mão, tem documentado o Estuário do Douro desde 2011. "Nunca tinha visto nenhuma em liberdade. É um animal simpático e não se assustou com a minha presença", disse ao JN.

A Reserva Natural Local do Estuário do Douro tem cerca de 62 hectares e goza de um estatuto de proteção que assegura a conservação da biodiversidade e do património natural local. Resulta de um acordo celebrado entre o município de Gaia, através do Parque Biológico, e a Administração dos Portos do Douro e Leixões.

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