www.vidaeconomica.ptSusana Almeida - 14 jun 20:43

Ministro do Ambiente: não atrase Portugal

Ministro do Ambiente: não atrase Portugal

Em 1961 os países nórdicos iniciaram campanhas de educação de crianças e adultos para cuidar melhor do ambiente, evitar plásticos, etc. Resultou em quase nada. Ao meio dos 60 começou a legislar neste sentido, adicionando taxas ao crude. Algo resultou.
Os municípios foram obrigados a melhorar ETAR, reparar as redes de águas e esgotos, limpar as matas à beira das estradas, oferecer recolha de resíduos em oito contentores para reciclagem, etc.
Após a Cimeira do Ambiente em Estocolmo, em 1972, os Nórdicos, Holandeses e pouco depois Alemães legislaram para que as indústrias reduzissem a poluição. A Alemanha obriga as indústrias a se manterem numa composição de plásticos que permita a sua reciclagem segura, reduzindo e separando os metais neles adicionados. O diesel não é mais barato que a gasolina. Quase todos os novos carros há muito são flexfuel, usando metanol de beterraba ou cana sacarina. Há décadas os autocarros urbanos são a biogás.
No Norte da Europa todo e qualquer supermercado é obrigado a ter no seu parking uns doze coletores de resíduos para reciclagem racional. Enquanto aqui temos apenas um coletor para frascos de vidro, lá são três, um para os transparentes, outro para os coloridos, um terceiro para cristais. Pois têm diferentes composições químicas, o que dificulta a sua reciclagem, se misturados.
Garrafas não vão para coletores, mas para os super-mercados. Na entrada há um tapete rolante com um sensor de altura do objeto. O consumidor lá põe as suas garrafas de vidro de cerveja, sumo, leite, gasosa ou vinho; ao concluir, prime um botão e recebe um ticket da quantidade de cada tipo de garrafa a reutilizar. O mesmo camião que traz as garrafas cheias leva as vazias para serem lavadas e reutilizadas; assim evitam o enorme desperdício de energia em re-fundir o vidro. Não há garrafa PET! Na caixa o consumidor apresenta o ticket e, para cada garrafa a mais que leva, paga um Euro, acima do preço do produto.
Na Europa do Norte a indústria, para cada tipo de embalagem, paga taxas, consoante a sua poluição. A maioria é obrigada a pagar para transportar e recuperar os materiais usados, e alguns são proibidos por lei. Não são agências dirigidas por tachos que nada controlam, mas por associações. Se um consumidor desconfiar que a embalagem ou o material usado no produto que comprou for poluente e o denunciar, é o comércio que o aceitou quem também paga coimas.
A boa imagem que o nosso Ministro do Ambiente tenta passar é um sonho que nenhum país conseguiu realizar. A Europa a sério optou por uma legislação onde as agências, que tendem nada fazer contra os poderosos poluidores, não são as únicas controladoras. Lá as Finanças e o Ambiente não só aplica coimas como até fecham a indústria, após reincidência.
Veja o caso dos poluentes das indústrias de celulose e papel no Tejo! E agora a permissão de extrair petróleo no Algarve. O risco de tragédia ambiental na extração de gás é muito menor do que na de crude. Para não cassar a permissão oferecida pelo desastrado ex-ministro, este poderia limitar a exploração ao gás. Mas deixou-se levar pela força do cartel, dirigido por fundos especulativos estrangeiros.
PM: legisle e delegue na Quercus o trabalho que a ATA não faz! As Finanças ficarão felizes, a Saúde também e a família pagará menos à EDP. Yes, you can! Fazer, não só falar!
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