www.vidaeconomica.ptvidaeconomica.pt - 14 jun 20:45

Lipor investe três milhões para fornecer vapor ao aeroporto do Porto

Lipor investe três milhões para fornecer vapor ao aeroporto do Porto

A Lipor vai investir três milhões de euros na instalação de condutas para ligar a central de valorização energética da Maia ao aeroporto, revelou Fernando Leite aos jornalistas, durante uma visita às instalações, no âmbito da Semana Europeia da Energia Sustentável. O estudo técnico da instalação das condutas foi elaborado pelo INEGI.
Além do aeroporto que, ainda assim, e de acordo com Abílio Almeida, técnico da Lipor, apenas deverá absorver “0,1% do vapor a alta pressão” que é produzido a partir da queima de resíduos na central de valorização energética da Maia, a empresa que gere o sistema intermunicipal de gestão de resíduos do Grande Porto está a trabalhar num estudo de viabilidade económica, que permita identificar, naquela zona, outros potenciais utilizadores do vapor – empresas, indústrias, hotéis, escolas -, a alta, média ou baixa pressão, de modo a rentabilizar o investimento.
A Lipor, que já ali produz 198 mil megawatts de energia por ano, tem ainda pensada uma outra utilização para o calor gerado pela queima dos resíduos na central de valorização energética da Maia, que poderá passar pela alimentação de estufas que podem vir a ser instaladas nos terrenos envolventes das instalações da empresa. No entanto, esse projeto na área da agricultura está ainda “em fase de estudo”, referiu Abílio Almeida à margem da visita.
A empresa gerida por Fernando Leite registou um volume de negócios de 38,7 milhões de euros em 2017. Emprega 194 colaboradores e serve oito municípios (1% da área geográfica do país e 10% da população), num total de um milhão de habitantes. Trata anualmente 500 mil toneladas de resíduos (12% do total produzido no país).

Alargar a recolha porta a porta de resíduos

Fernando Leite referiu que “desde 2017, o Governo decidiu voltar a investir na sensibilização ambiental”, mas também reconheceu que “nós em Portugal estagnámos na reciclagem”, o que é “inadmissível”.
Também por essa razão, e para dar cumprimento ao plano estratégico traçado até 2020, a empresa pretende alargar a recolha de resíduos orgânicos, também de origem doméstica, e recicláveis porta a porta a mais 80 mil fogos, assim como reciclar metade dos resíduos recolhidos até 2020. Em 2017, apenas 21% dos resíduos entrados na Lipor foram provenientes de recolha selectiva (12% multimaterial e 9% biorresíduos). Dessas entradas, 79% foram oriundas de recolhas indiferenciadas.
Atualmente perto de 80% do lixo produzido é queimado. A partir dessa queima a Lipor já produz energia suficiente para alimentar 150 mil casas.
Nas metas para 2020, a empresa quer que as recolhas seletivas cheguem aos 50 quilos por habitante por ano, 35% dos quais serão valorizados. Em 2017, a Lipor encaminhou para valorização orgânica perto de 60 mil toneladas de resíduos (produzindo mais 11 mil toneladas do composto biológico Nutrimais) e mais de 47 mil toneladas para valorização multimaterial. O grosso dos resíduos – perto de 396 mil toneladas - foi, no entanto, encaminhado para a valorização energética, que serviu para produzir perto de 198 mil megawatts de energia.
A Lipor possui duas unidades industriais integradas de resíduos. Uma, em Baguim do Monte (Gondomar), onde procede à triagem e tem uma unidade de compostagem e as áreas de suporte operacional e de gestão. A outra, que a “Vida Económica” visitou, está localizada na Maia, onde está instalada a central de valorização energética, o aterro sanitário e a ETAR.
1
1