www.jn.ptjn.pt - 14 jun 18:44

Ryanair sob ameaça de verão escaldante

Ryanair sob ameaça de verão escaldante

Greve no tráfego aéreo europeu, pilotos a ameaçar greve e ultimato do pessoal de cabine a acabar a 30 de junho podem custar milhões à maior transportadora da Europa.

O mês de maio já foi "negro" para a companhia aérea de baixo custo irlandesa: mais de 200 mil passageiros foram afetados por cancelamentos devido a greves dos controladores de tráfego aéreo em França e a tempestades elétricas. Mas as perspetivas para o verão não são melhores: os pilotos britânicos, cujo sindicato tinha sido reconhecido em dezembro pela Ryanair, ameaçam fazer greve se a empresa não implementar um esquema transparente de promoções e transferências e o pessoal de cabine de diversos sindicatos europeus, incluindo de Portugal, deram à "low cost" um prazo que termina a 30 de junho para que respeite as leis laborais dos países onde possui bases.

"A Ryanair apelou a uma ação urgente por parte da Comissão e dos governos europeus para travar a deterioração alarmante dos serviços de controlo de tráfego aéreo europeus durante os meses de maio e junho e prevenir o colapso desses serviços durante este verão", divulgou a empresa, em comunicado.

Em maio, a companhia de baixo custo sofreu atrasos em mais de 117 mil voos, dos quais mais de 71 mil devido às greves e à falta de controladores de tráfego aéreo. Essa falta é notória, diz a empresa liderada por Michael O'Leary, quando a maioria (quase 60%) dos atrasos provocados por condições meteorológicas adversas ocorreram às sextas e aos sábados, "o que sugere que estão a utilizar as más condições meteorológicas para encobrir as suas faltas de pessoal". Ao todo, 45 mil voos foram atrasados devido à meteorologia em maio, um valor "quatro vezes superior aos 11 mil atrasos por mau tempo de maio de 2017".

No mesmo período, a companhia de O'Leary cancelou cerca de mil voos, um valor "24 vezes superior aos 43 voos cancelados em maio de 2017". E não estiveram sozinhos, dado que invocam os cancelamentos da Easyjet, que chegaram a 974 voos este ano, face a 117 em maio do ano passado.

"Uma vez mais, teremos no próximo fim de semana uma nova greve de controladores de tráfego aéreo em França que irá provocar o cancelamento de centenas de voos, prejudicando os planos de férias de milhares de passageiros. Muitos destes voos nem passam por solo francês, no entanto serão perturbados já que os controladores aéreos franceses requerem que as companhias aéreas cancelem voos que sobrevoem o seu espaço aéreo, protegendo apenas as rotas domésticas", disse o CEO da Ryanair.

Para O'Leary, as entidades de controlo de tráfego aéreo europeias "estão a atingir um ponto de colapso, com centenas de voos cancelados diariamente simplesmente por falta de pessoal para geri-los. A situação é particularmente agravada durante os fins de semana, em que os controladores britânicos e alemães disfarçam a realidade com condições climáticas adversas e eufemismos como "restrições de capacidade": não têm, no horário, profissionais suficientes para gerir o número de voos programados". A maior transportadora aérea europeia pediu, por isso, à Comissão Europeia para que tome "medidas urgentes para evitar que milhares de voos e milhões de passageiros sejam perturbados, particularmente nos meses de pico de Verão (julho e agosto)".

A companhia de baixo custo irlandesa está debaixo de fogo, novamente, também com ameaças de greve por parte dos pilotos e do pessoal de cabine. Ontem terminou o prazo concedido pelo sindicato britânico de pilotos BALPA para que a empresa "providencie transparência e justiça às decisões feitas pelas equipas de gestão e que têm impactos muito grandes nas vidas dos pilotos e suas famílias". Aquele que foi o primeiro sindicato reconhecido pela Ryanair admite partir para a greve. O sindicato de pilotos irlandês também ameaçou com greve, há duas semanas, se a companhia não alterar as práticas laborais.

Motivo idêntico têm os sindicatos de pessoal de cabine em diversos países europeus, incluindo em Portugal, que ameaçam greves durante o verão se O'Leary não começar a respeitar a legislação laboral de cada país onde possui bases.

No final do verão passado, o cancelamento de mais de dois mil voos devido à falta de pilotos custou 25 milhões de euros à Ryanair, aos quais acabaram de se juntar 1,85 milhões de euros de multa aplicada em Itália. A autoridade da concorrência local considerou que a companhia é culpada de práticas comerciais desleais e práticas comerciais enganadoras, bem como de omissões enganosas, por cancelar um número significativo de voos por motivos de gestão de que tinha conhecimento, informando os consumidores de forma enganadora ao omitir, inicialmente, que tinham direito a uma compensação no âmbito da Diretiva Europeia nº 261/2004. Com muitos dos voos cancelados, a companhia "low cost" ainda conseguiu obter elevados lucros.

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