www.publico.ptpublico.pt - 14 jun 19:56

Mundial 2018. Sauditas e egípcios vêem partidas de forma ilegal

Mundial 2018. Sauditas e egípcios vêem partidas de forma ilegal

Corte de relações com o Qatar deixou os países sem hipótese de transmitir o Mundial na TV. Transmissões piratas são a solução escolhida pelos adeptos de futebol.

O problema tornou-se definitivo: alguns países do Médio Oriente— entre os quais se contam a Arábia Saudita e o Egipto — não conseguirão transmitir legalmente qualquer partida do Mundial de futebol que se realiza na Rússia, cujos direitos são detidos pela beIN Sports. A empresa qatari e os dois países não conseguiram chegar a acordo sobre os valores a pagar pelos encontros, numa disputa que se iniciou com o corte de relações diplomáticas com o Qatar em 2017.

Num acontecimento inédito, vários adeptos sauditas recorrem a meios ilícitos — tais como streams e boxes de TV piratas — para não perderem a competição. No Egipto também não existe acordo, existindo rumores de que o país irá passar os jogos da selecção egípcia em sinal aberto, usando uma transmissão pirata. Também se especulava sobre a hipótese de a Arábia Saudita transmitir todos os 64 jogos em sinal aberto, recorrendo à transmissão da BeIN sem autorização, que o país prontamente recusou.   

Apesar das várias tentativas de negociação, nenhum dos países tinha conseguido chegar a acordo com a beIN Media Group, empresa que detém — em exclusivo — os direitos de transmissão do Mundial 2018 no Médio Oriente. Representantes sauditas acusaram a cadeia televisiva de ter recuado num acordo negociado pela FIFA, que incluía 22 jogos do Mundial por 30 milhões de euros. Por sua vez, a cadeia televisiva rejeitou essa imputação: “Apesar de terem existido discussões preliminares, não houve qualquer acordo em relação ao preço ou às condições de uma licença [de transmissão] ”, garantiu um porta-voz da beIN após uma negociação falhada, que teve lugar na passada semana.  

Os sauditas não baixaram os braços e, à revelia do Governo e de uma das empresas mais poderosas do mundo, arranjaram forma de visualizarem — por enquanto — a competição. Foi criada uma rede pirata chamada beoutQ, que começou a vender boxes com dez canais, um deles a piratear a transmissão da beIN Sports — que foi banida na Arábia Saudita após o corte de relações diplomáticas com o Qatar, em 2017. Esse canal tem um logótipo próprio a tapar o símbolo da beIN mas, mesmo assim, classifica-se como uma transmissão ilegal, devido à apropriação não consentida de imagens e som propriedade da beIN Media Group. 

A cadeia televisiva do Qatar tinha demonstrado à FIFA, ao longo dos últimos meses, preocupação que algo do género pudesse acontecer no país do Médio Oriente. Em Maio de 2018, Tom Keaveny, um dos directores executivos da beIN Sports disse ao The New York Times, que montar um empreendimento pirata que abrangesse todo o país muito difícil para cidadãos sem qualquer tipo de apoio: “ [Essa operação] requer conhecimento a uma escala industrial, bem como um financiamento multimilionário. Não é alguém que faz isto a partir do seu quarto”.

Antes do corte de relações, a beIN tinha mais de 90 mil assinantes na Arábia Saudita — o seu maior e mais lucrativo mercado. Agora — após milhares de milhões gastos na compra dos direitos de transmissão do Mundial —, alguém rouba a sua transmissão de forma aberta e transmite-a por milhões de telespectadores. As autoridades sauditas, num esforço para minimizar a transmissão pirata, apreenderam 18 mil destas boxes ilegais.

Texto editado por Jorge Miguel Matias

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