observador.ptobservador.pt - 14 jun 16:52

A mão de Deus, a bola que não saiu e o Coreia/Japão 2002. O que seria dos outros Mundiais se já houvesse vídeo-árbitro?

A mão de Deus, a bola que não saiu e o Coreia/Japão 2002. O que seria dos outros Mundiais se já houvesse vídeo-árbitro?

O Mundial 2018, que começa esta quinta-feira, vai ser o primeiro com vídeo-árbitro. Mas como teriam sido os outros Mundiais se já houvesse VAR, da 'Mão de Deus' ao fora de jogo de Tévez em 2010?

O Mundial que esta quinta-feira começou na Rússia — com a seleção anfitriã a receber a Arábia Saudita — é o primeiro onde vai ser usado o vídeo-árbitro. Esta tecnologia, que já foi usada este ano em alguns campeonatos, como o português, o alemão ou o italiano, vai juntar-se à da linha de golo, que também já tinha sido usada há quatro anos, no Mundial do Brasil.

Em 1986, Maradona marcou com a mão; em 2002, Itália e Espanha queixaram-se das arbitragens nos jogos contra a Coreia do Sul; e a França podia nem ter ido ao torneio em 2010. Como teria sido a história de outros Mundiais se o vídeo-árbitro já existisse na altura?

O atropelo de Schumacher a Battiston em 1982

No dia 8 de julho de 1982 Alemanha e França encontraram-se no estádio Ramón Sánchez Pizjuán, em Sevilha. Aos 57 minutos, Platini colocou o defesa francês Patrick Battiston na cara do guarda-redes alemão, Harald Schumacher. Battiston, que tinha entrado aos 50′, desviou a bola de Schumacher mas foi ‘atropelado’ pelo guardião alemão dentro da área. O árbitro, Charles Corver, nada assinalou e o jogador francês acabou mesmo por ter que ser substituído. No momento do lance, o jogo das meias-finais estava empatado 1-1. Terminou 3-3 e a Alemanha ganhou nos penáltis. Se houvesse vídeo-árbitro o resultado podia ter sido outro.

A ‘Mão de Deus’… ou de Diego

Em 1986, no Mundial do México, o jogo dos quartos-de-final entre Argentina e Inglaterra ficou marcado por aquele que, ainda hoje, é um dos lances mais falados da história dos Mundiais de futebol. Aos 51 minutos, Maradona ganha nas alturas ao guarda-redes inglês, Peter Shilton, e coloca a bola na baliza. Estava feito o 1-0 para a seleção das pampas. Só houve um problema: o golo foi marcado com a mão. Maradona disse que tinha sido com a ‘mão de Deus’, mas as imagens televisivas não deixariam dúvidas caso o lance tivesse sido avaliado pelo vídeo-árbitro. A Argentina chegaria à final e ganharia o Mundial. No ano passado o jogador argentino admitiu que “aquele golo não teria valido se já houvesse a tecnologia”.

A agressão de Tassotti a Luis Enrique em 1994

O jogo dos quartos-de-final do Mundial 1994 terminou com a vitória da Itália sobre a Espanha por 2-1, mas a partida podia ter tido outro destino no último minuto. Num lance dentro da área, o defesa italiano Mauro Tassotti atingiu Luis Enrique na cara. O médio espanhol até sangrou, mas o árbitro, Sándor Puhl, nada assinalou. Numa entrevista à agência EFE, o fisioterapeuta que assistiu Luis Enrique disse que o jogador “queria matar o árbitro e Tassoti”.

A simulação de penálti (que afinal não era)

O Mundial 2002 ficou marcado pelas queixas de algumas equipas em relação aos erros de arbitragem que favoreceram uma das seleções anfitriãs, a Coreia do Sul. Uma dessas equipa foi a Itália, que nos oitavos-de-final foi derrotada por 2-1, com a vitória coreana a chegar aos 119 minutos, através do golo de ouro (regra que na altura fazia com que o jogo acabasse mal uma equipa marcasse). Mas antes, aos 105′, com o jogo empatado, Totti foi derrubado dentro da área. O árbitro entendeu que se tratara de uma simulação e mostrou o segundo cartão amarelo, e consequente vermelho, ao avançado italiano. Mas a televisão mostrou que Totti foi mesmo tocado pelo defesa coreano.

(a partir dos 10 minutos do vídeo)

A bola não saiu, mas o golo não valeu. Ainda o Coreia/Japão 2002

Depois de eliminar a Itália, a Coreia do Sul encontrou a Espanha nos ‘quartos’. Durante o tempo regulamentar, o árbitro egípcio Gamal Ghandour esteve mal ao anular um golo aos espanhóis, num lance onde não há falta. Mas o escândalo maior chegaria no prolongamento: Helguera cruzou, Morientes cabeceou e a bola entrou. Mas o golo foi anulado. O árbitro auxiliar entendeu que a bola tinha saído pela linha de fundo antes do cruzamento. Não podia estar mais errado. O jogo acabou 0-0 e os sul-coreanos ganharam nos penáltis.

O fora de jogo de Tévez em 2010

Nos oitavos-de-final do Mundial de 2010, Argentina e México encontraram-se no estádio Soccer City, em Joanesburgo. Depois de um passe de Messi, Carlos Tévez abriu o marcador aos 25 minutos, mas o golo foi tudo menos legal. O avançado argentino estava fora de jogo e qualquer pessoa com acesso às imagens televisivas teria anulado o golo sem qualquer dúvida. A Argentina ganhou o jogo por 3-1.

Podia a França ter falhado o Mundial 2010?

Este lance não faz parte do Mundial em si. Mas para se chegar ao torneio que todos querem jogar é preciso passar a fase de qualificação. E para chegar à África do Sul em 2010, a França teve que jogar um play-off contra a República da Irlanda. A primeira mão, em Dublin, terminou com a vitória francesa por 1-0. No segundo jogo, em Paris, os irlandeses marcaram primeiro, por Robbie Keane, e empataram a eliminatória, levando o jogo para prolongamento. Aos 103 minutos, a bola foi metida na área na sequência de um livre. Thierry Henry recebeu a bola com a mão e cruzou para William Gallas, que fez o empate. O resultado não se alterou mais e a França garantiu o bilhete para o Mundial. Graças a um lance ilegal.

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